Folha, drogas, mentiras & dossiês

por Saul Leblon (publicado originalmente no site Carta maior)

O resumo-malabarista dos acontecimentos não é assinado, o que desde já sugere um produto distinto da reportagem e mais próximo de uma alta “costura’”política destinada a salvar as aparências perante leitores e eleitores depois do fiasco da operação-dossiê, que consistia em desqualificar denuncias graves –alucinadamente sempre omitidas – com o carimbo antecipado de conspiração petista. O que parece ter dado errado nesse exercício tantas vezes bem sucedido é que, primeiro, as informações negadas pelos jornalões vazaram e circulam livremente na Internet (leiahttp://www.conversaafiada.com.br/]; segundo, e mais complicado, a origem guarda credibilidade distinta dos dossiês eleitorais na medida em que se apóia em investigação minuciosa, ancorada em documentações muitas vezes chanceladas pela Justiça. (mais…)

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Governo de SP volta atrás: professor que não fez prova poderá dar aulas

O Secretário de Educação de São Paulo, o tucano Paulo Renato, confirmou hoje a notícia publicada pelo, também tucano, jornal Folha de São Paulo. O governo do Estado irá voltar a contratar como professor temporário quem não fez o concurso público do final do ano passado.

Não há melhor maneira de analisar a situação do que citando o velho jargão “seria cômico se não fosse trágico”.

Relembrando. Ano passado, usando o pretexto de selecionar apenas profissionais bem qualificados para o exercício do magistério, o governador José Serra instituiu um concurso público para seleção de professores temporários. O projeto foi alvo de várias críticas. (mais…)

Amanhã, depois de um mês de silêncio, a greve dos professores aparecerá na mídia

Hoje o PSDB, o PIG e a nojenta elite paulista mais uma vez calou os professores e avançou na destruição da educação pública

por Chico Cabral

Eles conseguiram!

Depois de reprimir duramente o magistério em greve. Depois de mentirem e assediarem moralmente professores que aderiam ao movimento. Depois de barrar ônibus nas estradas. Depois de demitir professores da categoria “O” por faltas(greve), de cortar bônus e cortar salário de todos os professores grevistas. Depois do silencio ensurdercedor do governo e da imprensa… eles conseguiram! (mais…)

[Publicado no blog Conversa Afiada]

from    ANA APEOESP

Mais uma vez, professores foram agredidos por policiais e impedidos de realizarem manifestação pública. Um grupo de aproximadamente 200 professores compareceu à inauguração de uma alça de acesso da Estrada Mário Covas aos municípios de Itaquaquecetuba, Suzano e Poá. (mais…)

Gilberto Dimenstein

Amor com amor se paga – Lição de um aprendiz esperto

Do blog NaMaria News

De fato. Não se pode maltratar ou discordar de quem nos ajuda – seria falta de respeito, consideração, estima, bom senso; seria perder a noção do perigo etc..

Deve ser por isto que o nobre jornalista Gilberto Dimenstein, da Associação Cidade Escola Aprendiz (CNPJ/MF 03.074.383/0001-30) escreveu Professores dão aula de badernaUma greve contra os pobres e também Vocês desrespeitam os professores, da qual citamos o brilhante trecho: (mais…)

O choque de gestão de Serra e do PSDB

Por Ricardo Maciel

À frente do governo de São Paulo, José Serra mostrou exemplarmente o que é o choque de gestão do PSDB. Em pouco mais de três anos Serra mandou bater em sem-terra, sem-teto, moradores da periferia, camelôs, estudantes universitários, funcionários das universidades públicas paulistas, professores da USP, estudantes secundaristas, manifestantes anti-Bush, funcionários públicos de categorias diversas, bater na própria polícia e ontem mandou descer porrada nos professores da rede pública de São Paulo. É tanta repressão que nem mesmo a “grande” imprensa, tão dedicada em protegê-lo, não encontrou meio de não deixar de registrar as cenas de pancadaria protagonizadas por ordem de José Serra ao longo dos seus lamentáveis pouco mais de três anos como governador. Basta dar uma busca no google, pesquisar nos jornais ou ir ao Youtube que está tudo lá. Bomba de gás lacrimogêneo, bala de borracha, cassetete e spray de pimenta são mais experimentados pela população de São Paulo do que em toda Palestina.

Neste diapasão serrista de resolver tudo a manu militari, lembremos que durante o governo Serra a Polícia invadiu bairros pobres, assentamentos, pelo menos três universidades (USP – duas vezes –, Unesp de Araraquara e PUC de São Paulo) e uma faculdade (Fundação Santo André).

Um governo que lança mão de tanta força, não dialoga com seu povo porque não quer ou porque não pode; no caso do Serra são as duas coisas. Um governo que só se valida pelo recurso à violência e a blindagem da “grande” imprensa (Globo, O Globo, Época, Folha de São Paulo – também conhecida como Ditabranda –, Estado de São Paulo, Veja e Rede Bandeirantes) – blindagem feita por adesão a um projeto elitista provinciano, mas muitas das vezes com indícios de ser comprada, afinal, ninguém esquece dos milhares de assinaturas  dos jornais Folha e Estado feitas para as mais de 5.000 escolas do estado; da revista Nova Escola (Grupo Abril) enviada, sem que ninguém tenha pedido, para milhares de professores do ensino básico; do patrocínio exclusivo e constante do SPTV 2º Edição (órgão oficioso de relações públicas do Palácio dos Bandeirantes); da preferência pela gráfica da Folha (Plural) para imprimir apostilas e materiais do governo; da compra de livros da Ática (Grupo Abril) etc. (um etcetera bem extenso), tudo feito na maior parte das vezes sem licitação, sem levar em conta que existem outros fornecedores, com uso de dinheiro público e autorização do José Serra. Enfim, um governo que apela para a truculência ao longo de toda sua duração, é um governo autoritário, antidemocrático e que não governa para a população, mas em nome de poucos, cujos interesses são inconfessáveis.

José Serra não tem mais autoridade moral para governar (mais…)

O mundo bizarro de José Serra

Por Leandro Fortes (Originalmente publicado no blog Brasília eu vi)

Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra. A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor. Este professor que carrega o PM ferido é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital. É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória. Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.

Inesquecível, Serra, inesquecível.