O Bonde da História, coletivo formado por estudantes da Faculdade de História da USP, recentemente leu manifesto durante reunião entre estudantes, funcionários e professores da História.
Publicamos o referido manifesto, conforme segue abaixo.

Organizando o pessimismo

A universidade resistiu ao primeiro autoritarismo, sobreviveu ao segundo; ainda não há sinais de que esteja decididamente enfrentando o terceiro, até pelo contrário, parece ter assumido a modernização tecnocrática como perfil definitivo. Nesse caso, a resistência se transformará em incorporação. É a hipótese que está em questão. Se confirmada, essa “velha senhora” não morrerá com dignidade”. (Franklin Leopoldo e Silva, A Experiência universitária entre dois liberalismos)

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Desde o dia 06 de junho de 2009, digamos assim, ficou escancarado o abismo existente entre os gestores da Universidade de São Paulo e a chamada comunidade acadêmica. Após o desenvolvimento e o encerramento da greve, as categorias e entidades representativas passaram a mirar a crítica nas eleições para reitor, exigindo uma ampliação da democracia e uma alteração na estrutura de poder.  Longe de querermos questionar a validade e a legitimidade dessa pauta, nós, o comando de mobilização da história, perguntamos, a fim de ampliar a discussão: Não seria necessário, para podermos falar em “comunidade uspiana democrática”, questionarmos antes o modo de funcionamento da USP bem como as formas pelas quais nos inserimos nessa engrenagem? (mais…)

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As atléticas não parecem ter uma estrutura de financiamento garantida, por isso precisam vender cerveja em festas, onde surge a diferença entre a campanha das atléticas de unidades como a  FEA, que custa 100 mil, e a da FFLCH, que mal consegue se manter. (mais…)

Um dos cursos mais mobilizados durante a greve da USP conseguiu construir, mesmo em meio a tantas dificuldades, relações interessantes entre os estudantes e professores grevistas, gerando debates que iam além dos fatos e criando formas dinâmicas de articulação.

Por Luis Branco

A greve do primeiro semestre de 2009 na USP [Universidade de São Paulo] ficará marcada pela latência da crise das instituições de poder e representatividade da universidade. Seu fim, sem a conquista das pautas [reivindicações] mais evidenciadas, embora nos dê um gosto amargo, parece dessa vez não significar um momento alto de desgaste, sucedido por um período de “ressaca”. Pelo contrário, a simultânea saída das três categorias [1], articuladas no sentido de não só questionar, mas concretamente alterar a estrutura de poder na USP, significa que, para além das pautas específicas de cada categoria e a despeito de seus posicionamentos e ações políticas diferentes, a USP não ficará tal como está: chegamos ao limite (mais…)