O direito de ir e vir

Por Demian Alves Lima

O vídeo que segue é antigo e trata da Revolta da Catraca, movimento que ocorreu em Florianópolis por ocasião do aumento da tarifa dos ônibus. No fim ele conseguiu barrar o aumento, mas foi selvagemente (e este é o termo exato ) reprimido pela polícia de Santa Catarina. Essa repressão desmedida serve para mostrar como os movimentos sociais são tratados, onde qualquer manifestação contrária ao capital e ao poder instituído, quando não pode ser cooptada ou diluída por outros meios, é reprimida da forma mais vil e covarde sob o beneplácito das Reginas Duartes da classe média.

Quando acontecem manifestações públicas o argumento apresentado para reprimi-las invariavelmente é o mesmo: a manifestação impede o direito de ir e vir. No entanto, isso é mais pretexto para sufocar o desejo de mudança do que preocupação única com o tal direito de ir e vir. Além disso, em geral esse direito é o direito de carros circularem livremente (esse objeto que é a manifestação mais visível do consumismo sem limites de uma sociedade de espetáculo e aparência). Ironicamente, são os carros que interditam o direito de ir e vir, que fazem das cidades locais inabitáveis, avançando sobre todos os espaços livres, exigindo vorazmente ruas e avenidas mais amplas, calçadas mais estreitas, destruição de áreas verdes e compactação de espaços livres. Por outro lado, nas grandes metrópoles ninguém consegue ir de carro para lugar algum sem passar horas e horas parado no mesmo lugar.

Enfim, é em defesa de um monstro que alegam o direito de ir e vir.

Sobre a brutalidade da polícia brasileira, desnecessário falar, bastar ver o vídeo.

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