Só se deixa enganar pelo ilusionista Rodas quem quer

Ontem, na Rede TV, Rodas, reitor da USP indicado por Serra de modo alheio à votação dentro da burocracia plutocrática da USP, portanto, praticamente “biônico” (como os indicados diretamente pela ditadura sem a necessidade da consulta formal), disse que a votação na congregação da Faculdade de Direito da USP  foi contrária a ele, pois, esta receberia supostas ameaças de funcionários e estudantes da FD. O fato de serem estudantes de direito só mostra para ele e para os comentaristas da Rede TV que, de fato, a USP está como o morro carioca, onde reafirma o seu argumento de outra entrevista, concedida à rádio Bandeirantes, e que a todos consternou: “Onde está tal situação explosiva?”

Cabe lembrar que em tal  comentário à Rádio Bandeirantes, o magnífico reitor “biônico” utiliza de preconceito contra moradores do morro carioca para criar sua metáfora de produção de terror reiterando na seqüência, que estaríamos quase um Haiti.

Percebendo derrota interna, Rodas apela para ressentimentos anti-USP da sociedade, desde o informal “eu detesto alguém que tem algo que eu não tenho” como direitos trabalhistas, até o desejo de estabilidade e ascensão social da classe média, assim, diz que a USP está uma balbúrdia, pedindo – conclusão pressuposta – intervenção policial constante, talvez para ele, seguindo a metáfora, quase uma intervenção humanitária a favor da paz (a dele, no caso) interna. Imaginemos, paz romana, com guarda pretoriana,  com troca de guardas paramentados e tudo. Conhecemos a cena das ridículas trocas de turno da Força Tática fazendo a função de choque enquanto comia lanchinhos gostosos na reitoria, tudo isso para deixar a reitoria mais calminha para poder obrigar os funcionários a trabalharem na marra, pois na reitoria, cabe lembrar, também tem quem ganhe pouco, isto é, justamente quem lá trabalha.

Ah, claro, Rodas declarou-se a favor do sindicalismo, no entanto, o da USP se trata de arruaceiros e bandidos. Afinal de contas, as pessoas gostam de sindicato, exceto que façam greve.

O reitor basicamente tenta criar a ideia de que não se pode entrar em greve em instituições públicas, mas um aumento mínimo e negociação antes que se chegue ao recurso último da greve, isso ele não quer saber.

Destarte a opinião do reitor, que se diz a favor do diálogo, mas que parece entendê-lo como “eu falo, você ouve e fica quieto”, outra questão que afeta a USP neste momento são os desentendimentos entre estudantes, professores e funcionários.

Estudantes em processo de direitização conseguem aprovar no X Congresso dos Estudantes da USP quorum mínimo para assembleias (quase 400 pessoas) e redução de possibilidade de decisão política coletiva. Foi aprovada a preferência por manifestações artísticas, evitando-se greves.  Assim, a gestão do ME suplanta em muitos casos mobilizações. Como isso se reverterá no futuro, caso uma gestão, de fato de direita, ganhe? Esta que é tão explícita, que mesmo na Poli perde votos, por enquanto, mas que continua agindo com um misterioso fundo de campanha, e que, como em muitos lugares do país, surge no mesmo dia 31 de março, comemorando o golpe militar e defendendo pautas com slogans como liberdade, apartidarismo aparente e partidarismo de fato e que são parecidas com… a juventude do DEM. (Ó, será coincidência?)

Muitos professores não se veem como trabalhadores, e muitos querem a quebra de isonomia para se distanciar dos funcionários, uma vez que acham injusto ganharem mais por terem maior formação, mesmo que, para lembrar, os funcionários que ganham bem na USP são os ligados às reitorias e diretorias de unidade e pró-reitorias e são, além de formados em curso superior, autênticos lambe-botas, não entram em greves, auxiliam punições etc. Mas, mesmo com a maioria ganhando mal, os docentes não enxergam esse fato ou não querem. Estranho não lembrarem igualmente das diferenças entre eles mesmos, do titular ao simples doutor. Ora, e mais ainda, entre os trabalhadores, não é a campanha salarial que incide na vida deles, pois eles nela não entram, mas no piso da categoria de trabalhador básico que é de R$ 1000,00 e que, onde existe e trabalha, ou faz bastante trabalho duro e muitos bicos extras para complementar renda, ou faz exatamente o trabalho de um colega que ganha como técnico. Cabe lembrar que esta categoria de trabalhador e sua defasagem em relação ao poder aquisitivo não precisaria entrar em greve caso não fosse engambelada, ao tomar uma rasteira após negociações com magníficas gestões anteriores em que confiaram nos reitores, este é o verdadeiro problema em questão.

Para isso, Rodas, como num passe de mágica, faz algo público chamando a atenção da imprensa e da comunidade, entretendo e falando, enquanto sua verdadeira ação mais ligeira ocorre escondida dos olhos até que só se percebem os resultados. Abracadabra! – Está feita a Univesp! – Está quebrada a contratação automática tão logo algum docente se aposente, os chamados claros! Ó, como ele fez isso? – Perguntam os incautos, mas para entender o truque, é preciso entender que a ação dele se dá nas sombras, alheio a atenção do que para ele é uma plateia universitária.

Criando um aumento menor para funcionários do que para professores, fomenta-se a divisão entre categorias, o que não está voltado apenas para esta campanha salarial, onde é concedida prontamente aos professores aquela reivindicação, antes de se mobilizarem, mas nada aos funcionários. Isto os divide já, quebrando o auxílio mútuo nas campanhas salariais, mas não é apenas isso.

Sem a entrada dos professores, ao menos como guarda-chuva de funcionários e estudantes, quando se associam às mobilizações de outras categorias para campanha salarial, Rodas vai na parte material da questão e faz com que dificilmente em momentos futuros essas categorias entrem em mobilização juntas, o que vale para todo tipo de causa, como, por exemplo, a perda do gatilho realizada posteriormente, que consistia na contratação de professores da FFLCH aposentados para evitar o aumento e a defasagem em relação a outras unidades da USP (que remonta à greve de 2002). Como se fará para voltar-se a este patamar de não haver redução de professores até uma crise como a que culminou em 2002. Visualizando-se uma perda de interesse na formação de professores e áreas de humanas.

Essa quebra de isonomia de aumentos conjuntos, que são obtidos a partir de mobilizações conjuntas, serve não tanto para o presente, mas visualizando cenários futuros onde questões estruturais possam ser decididas na base da “canetada” e às escondidas, quando ele faz algo publicamente, por exemplo, devolve à um professor da FFLCH o cargo na pró-reitoria de cultura e extensão, que parece um avanço para as iniciativas dos professores da área, mas se dá ao mesmo tempo em que ocorre a perda do gatilho de contratação de professores daquela unidade. Eis a questão que pende sobre essas categorias organizadas, que agora passam a ser desorganizadas por fora através de ação consciente da reitoria, e que tem sido aceita passivamente pela maioria de professores e estudantes.

Um exemplo, a Univesp foi aprovada e não implementada, seguindo com seu projeto capenga de substituição de formação presencial e não de criação de uma formação específica ligada ao seu formato ou de complementação para localidades em que poderia ser auxiliar, com lugares em que não se pode ir. E tudo isso caminhando no sentido da precarização e nem um pouco da modernização alegada. Para o que se aponta no futuro, sim, Rodas  diz na entrevista um projeto de “modernização administrativa”  que envolve relativização das fontes de recursos, precarização do trabalho e mudança das fontes de recursos. Apontar-se-ia no futuro um quadro como o da ocupação da reitoria, que, com base na “transparência”, na verdade queria-se esconder a fonte dos recursos entre sua atribuição e seu uso de fato, de onde, neste hiato, sabe-se lá o que aconteceria com esse dinheiro ?

Eis para o que devemos ficar atentos, além de brigarmos:  professores, alunos e funcionários, uns com os outros tentando sair dessa névoa do reitor biônico que, a cada vez que percebe que descobrem o truque, parece querer encerrar seu mistério com a força bruta, num cenário em que, infelizmente, até agora, o truque ardilosamente tem funcionado e encantado as novas gerações, desejosas de confiar em alguém e perder-se nas desconversas e salamaleques de alguém que perdeu a moral até no próprio departamento, onde seus truques já foram descortinados.

Por fim a polícia persegue as manifestações do passe livre até a UDESC (universidade estadual de santa catarina em floripa)

PM invade UDESC

Video da PM invadindo a UDESC (Floripa) e prendendo manifestante lá dentro: Passe livre já!
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