Israel ataca e mata militantes pacifistas que levavam ajuda humanitária aos palestinos

Por Demian Alves Lima

Como já noticiado amplamente, hoje, Israel atacou e matou dezenas de militantes pacifistas que seguiam em comboio para a faixa de Gaza, na Palestina, levando ajuda humanitária à uma população que é vítima de um bloqueio ominioso imposto por Israel, cuja ação neste bloqueio, e em quase todas as atitudes em relação aos palestinos desde que o Estado de Israel foi fundado, é a de um verdadeiro genocídio contra o povo palestino, que teve e tem suas terras pilhadas, seus recursos controlados e sua dignidade roubada pela ação terrorista de Israel. E tudo isso acontece sob a complacência das potências ocidentais, em particular os EUA, principal patrocinador e aliado do estado judeu. Assim, o atual assédio ao Irã é animado por uma razão cínica, uma vez que Israel detém tecnologia nuclear, além de bombas em seu arsenal, podendo os israelenses deitar violência sobre a região, ensejar atos terroristas, e agora atacar grupos pacifistas, sem que nenhuma condenação seja proposta pelas potencias ocidentais.

É intolerável. É vergonhoso o que ocorreu hoje.

Como a mídia brasileira é pró-Israel, e pouco compromisso tem com a verdade factual, certamente fará uma cobertura enviesada deste fato. Talvez até digam que os barcos que levavam ajuda aos palestinos, na verdade transportavam militantes da Al-Qaeda financiados pelo Hugo Chavez  e o MST, além de um carregamento de cocaína enviado pelo Evo Morales. Sendo assim, deixo este breve vídeo da Al-Jazeraa, que nos oferece uma outra visão.

Abaixo, o que saiu a pouco sobre o assunto na Ditabranda:

Israel culpa tripulantes e diz que frota foi “provocação política”

na Folha de S. Paulo

O governo israelense lamentou os ataques desta segunda-feira (31) contra a “Frota da Liberdade”, que deixaram ao menos dez mortos, mas indicou que os tripulantes são “culpados” e que o Exército de Israel apenas retaliou contra “ativistas violentos” que teriam sacado dois revólveres contra os soldados.

O Exército israelense confirmou em boletim mais recente o número de dez mortos.

Anteriormente, a rede britânica BBC informava 16 mortos, e o Canal 10, de Israel, chegou a indicar que o ataque teria vitimado 19 ativistas, número também informado pela agência France Presse.

“Certamente lamentamos as vítimas, mas a responsabilidade pelas vítimas é deles, daqueles que atacaram os soldados israelenses”, assinalou o vice-chanceler israelense, Daniel Ayalon –do mesmo partido do chanceler Avigdor Lieberman– em entrevista coletiva do ministério de Relações Exteriores de Israel, em Jerusalém.

Em comunicado, o Exército israelense assegura que dois “ativistas violentos sacaram os revólveres” de suas tropas “e aparentemente abriram fogo contra os soldados, como provam os cartuchos vazios dos revólveres”.

Na entrevista coletiva, Ayalon destacou que seu país “fez todo o possível para deter” a frota, mas seus integrantes “responderam inclusive com armas”. O vice-chanceler disse ainda que “nenhum país soberano toleraria essa violência”.

Além disso, ele assegurou que “os organizadores” — em referência à ONG turca IHH, um dos diversos grupos que participavam da iniciativa — tem “estreitos laços” com “organizações terroristas internacionais”, como a rede Al Qaeda.

Ayalon pediu que “todos os países trabalhem juntos para acalmar a situação” e que não sejam “pessimistas demais” sobre as consequências que possa ter a operação nas relações diplomáticas de Israel com outros Estados.

O “Canal 10″ da televisão israelense assegura que pelo menos 14 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas no ataque à “Frota da Liberdade”, um grupo de seis navios que transporta mais de 750 pessoas com ajuda humanitária para a Faixa de Gaza.

O Exército israelense reconhece em comunicado a morte de dez ativistas durante a tomada de controle das embarcações, que aconteceu esta madrugada a cerca de 20 milhas da faixa palestina.

Decisão de atacar

O porta-voz do Exército israelense, general Avi Benayahu, afirmou que o ataque contra a frota humanitária pró-palestina aconteceu em águas internacionais.

“O comando agiu em alto mar entre 4H30 e 5H00, a uma distância de 70 a 80 milhas (130 a 150 km) de nossa costa”, afirmou o general à rádio pública.

Segundo os termos dos acordos de paz de Oslo (1993), Israel mantém o controle das águas territoriais diante da Faixa de Gaza em uma distância de 20 milhas (37 km).

De acordo com a imprensa israelense, as autoridades militares tinham duas opções: uma intervenção em alto-mar contra a pequena frota ou uma abordagem quando os barcos entrassem no limite de 20 milhas. Acabaram escolhendo a primeira.

O general Benayahu também disse não saber quem deu a ordem de abrir fogo.

“A Marinha atuou de acordo com as ordens e as regras de disparo são muito claras. Os soldados foram advertidos de que não deviam ceder às provocações”, destacou o general Benayahu.

Para o ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, o ataque ocorreu em decorrência da violência dos organizadores da frota, o que teria sido uma “provocação política” ao país.

Ataque

Segundo a imprensa turca, o ataque aconteceu em águas internacionais por volta das 4h (horário local, 22h de Brasília do domingo).

As autoridades turcas tentaram entrar em contato com o navio Mavi Marmara, mas não conseguiram.

Os canais de televisão turcos mostraram imagens ao vivo do ataque até as 5h local (23h de domingo em Brasília), quando a conexão foi cortada.

O ministério de Assuntos Exteriores turco tentou ligar para Israel várias vezes desde a partida da frota da Turquia para pedir que não interferisse em seu objetivo.

Agora se espera que a diplomacia turca dê uma resposta e se abra um novo capítulo nas críticas relações entre Turquia e Israel, que ficaram abaladas desde o ataque israelense à faixa de Gaza entre 2008 e 2009.

Em Istambul, centenas de pessoas se concentraram na frente do consulado de Israel e tentaram invadir o local, mas foram impedidos pela polícia.

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