Governo de SP volta atrás: professor que não fez prova poderá dar aulas

O Secretário de Educação de São Paulo, o tucano Paulo Renato, confirmou hoje a notícia publicada pelo, também tucano, jornal Folha de São Paulo. O governo do Estado irá voltar a contratar como professor temporário quem não fez o concurso público do final do ano passado.

Não há melhor maneira de analisar a situação do que citando o velho jargão “seria cômico se não fosse trágico”.

Relembrando. Ano passado, usando o pretexto de selecionar apenas profissionais bem qualificados para o exercício do magistério, o governador José Serra instituiu um concurso público para seleção de professores temporários. O projeto foi alvo de várias críticas. Afinal, qual o sentido de se fazer um concurso público para contratar para cargos precários? Os professores eventuais não tem aulas garantidas, nem mesmo um piso salarial ou qualquer outro direito trabalhista de um CLT. E mais, o concurso poderia acabar com a única renda de profissionais não concursados.Vale lembrar que os concursos públicos na área de educação são raríssimos e nunca conseguem suprir a demanda da escola pública ou empregar o vasto número de profissionais formados.

Não obstante todas as críticas, o governo do Estado forçou a implementação do concurso, fazendo com que todos os temporários em exercício estudassem arduamente para essa prova.

Não teria sido melhor investir em formação?

Para surpresa do governo, a tal seleção acabou mostrando-se uma grande armadilha.

Em 2010, as escolas estaduais vêm sofrendo com falta ainda maior de professores.Veja bem, os estabelecimentos de ensino, que já estão acostumados a trabalhar com quadros insuficientes de profissionais, têm visto a situação se agravar, a ponto de ser considerado raro um professor da disciplina de Física em sala de aula, por exemplo.

Sem outra solução, o governo de São Paulo volta atrás na sua medida autoritária. Desconsiderando completamente o esforço daqueles que estudaram para o concurso, e também fingindo esquecer que a categoria de professores já havia alertado para esse risco no ano passado.

O fato é que o PSDB enxerga a educação pública de dois modos básicos: como custo ou marketing. No primeiro caso deixa de fazer investimentos, pelo exato motivo de não ver a educação como um investimento social necessário, limitando-se ao mínimo obrigatório e, sempre que possível, manobrando para transferir verbas da rubrica da educação para outras. Se pudessem, os tucanos já teriam privatizado tudo; no segundo, investe de forma atabalhoada, sem critério técnico ou sensibilidade social. Neste caso, o que conta é essencialmente iludir e garantir votos.

Enfim, nada de novo há no vai e vem da Secretaria de Educação em relação à contratação de professores, exceto a continuidade da destruição do sistema público de educação de São Paulo.

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