Amanhã, depois de um mês de silêncio, a greve dos professores aparecerá na mídia

Hoje o PSDB, o PIG e a nojenta elite paulista mais uma vez calou os professores e avançou na destruição da educação pública

por Chico Cabral

Eles conseguiram!

Depois de reprimir duramente o magistério em greve. Depois de mentirem e assediarem moralmente professores que aderiam ao movimento. Depois de barrar ônibus nas estradas. Depois de demitir professores da categoria “O” por faltas(greve), de cortar bônus e cortar salário de todos os professores grevistas. Depois do silencio ensurdercedor do governo e da imprensa… eles conseguiram!

Hoje o PSDB, o PIG e a nojenta elite paulista mais uma vez calou os professores e avançou na destruição da educação pública.

Acabo de voltar da assembleia dos professores e o que vi foi a completa derrota. Hoje qualque esperança de um estado com uma educação pública de qualidade para toda a população brasileira desceu pelo ralo. O MASP estava vazio, estava triste. Para quem viu aquele espaço ficar pequeno frente a dezenas de milhares de professores decididos a barrar o projeto absurdo posto em prática por Serra e o PSDB, ver hoje algumas centenas de professores se degladiando loucamente é deprimente.

A assembleia começou já bastante tumultuada, as primeiras falas já indicavam que a direção da APEOESP estava determinada a suspender a greve. Os argumentos não eram ruins, visto que o número de professores presentes já era uma mostra de que a mobilização perdia força. Na multidão alguns diziam que o interior estava mobilizado, mas que a direção do sindicato não fez o esforço necessário para garantir ônibus para todos, outros diziam que o magistério não aguenta um mês de greve e que os professores temiam mais corte de salários para o próximo mês, outros diziam que os resultados do provão desmobilizaram parte dos professores, outros diziam que a greve já havia acabado só os sindicalistas que não sabiam e outros apenas gritavam a plenos pulmões: PELEGOS!! PELEGOS!! PELEGOS!!

Eles conseguiram! não apenas implementaram o plano de carreiras mais descabido do planeta como dividiram a categoria. Tiraram da categoria dos professores, não apenas a isonomia salarial, mas aquilo que ela possui de valoroso: sua unidade, só na unidade a luta é possível.

Em princípio fiquei bastante confuso, tendia a considerar a hipótese de que a gestão atual do sindicato houvesse de fato trabalhado pela desmobilização, posto que já vi isso acontecer outras vezes, no entanto quando vi que até a oposição alternativa dizia que não havia correlação de forças para a continuidade da greve, tive certeza: eles conseguiram.

Majoritariamente os setores que defendiam a saída da greve diziam que era necessário a continuidade da mobilização, tratava-se apenas de uma suspensão da mesma, para abertura da negociação. Afirmavam que não havia possibilidade de continuar em greve, pois o governo autoritário de José Serra havia conseguido amedrontar a massa de professores. A proposta era: suspensão da greve com jornada de mobilização: aulas públicas, cartas para os pais de alunos e debates nas escolas.  Ainda ficou marcado uma próxima assembléia: dia 7 de maio.

Apesar da proposta parecer boa, tendo a desconfiar muito da possibilidade de duas greves em um mesmo ano, não vejo como provável a possibilidade de um avanço na mobilização depois de uma greve sem qualquer vitória.

Em determinado momento setores insatisfeitos com o rumos que a assembleia tomava, decidiram tomar a paulista e iniciar de forma forçosa uma passeata até a república, como havia sido determinado na assembleia anterior. Começou a gritaria, havia inclusive “uma bicicleta de som” com uma bandeira escrito “combatentes”, que concorria com o carro de som da APEOESP e gritava: Traidores!!! Traidores!!! Traidores!!!

Alguns professores foram pra rua outros ficaram no MASP, a assembleia prosseguiu com falas favoráveis e contrárias à greve. Quando chegou a hora dos encaminhamentos, como de praxe nos últimos anos de gestões do Sindicato, tudo foi feito de forma rápida. Contraste para a proposta de fim da greve, não há dúvidas, a assembleia está encerrada. Creio que o excesso de certeza em um cenário onde isso não me parecia tão possível, sobre tudo quando os professores estavam divididos entre o MASP e a av. Paulista, foi o estopim pra confusão.

Então começou uma confusão que só atrapalha o movimento do magistério e queima a imagem do movimento sindical. Alguém tacou uma bomba, dessas de criança que faz muito barulho, no carro de som, outros tacaram paus. Quando os sindicalistas começaram a descer do carro pessoas exaltadas foram de encontro a eles. Começaram os xingamentos e o empurra-empurra. A atual presidente do Sindicato, Bebel, saiu escoltada por uma série da bate-paus. Os estudantes da UMES fazendo provocações completamente desnecessárias à multidão insatisfeita com o fim da greve. E a imprensa corria, como urubus a procura de carniça, com suas câmeras e repórteres.

Não aguentei ficar mais e junto com parte considerável da multidão retirei-me do local. Às vezes, acho que a esquerda não aprende com a história.

Se a mobilização vai ou não continuar, é difícil saber. É difícil para mim até mesmo ter certeza se esse é o interesse majoritário daqueles que defenderam o fim da greve, mas torço pela continuidade, torço porque acredito que é necessário, creio que a derrota este ano vai causar a desmobilização completa da categoria pelo fim da isonomia, salário e a criação das castas de professores.

Se precisasse apostar meus dois centavos em algumas coisa diria o seguinte: Amanhã, depois de um mês de silêncio, a greve dos professores aparecerá na mídia.

Anúncios