Por: Universidade para quem?
No dia 19 de março, uma mensagem eletrônica foi enviada pelo Serviço Social da Coseas USP a professores, estudantes e funcionários. Um e-mail institucional assinado, tomando partido contrário à ocupação do Bloco G realizada pelos estudantes moradores do Conjunto Residencial (CRUSP) – veja mais textos sobre a Ocupação por este endereço.
O professor da EACH Jorge Machado, ao receber a mensagem, decidiu respondê-la. Com sua autorização, reproduzimos a íntegra da resposta a seguir.

Resposta ao spam do Coseas

Alô Coseas,

Já que vocês mandaram essa mensagem não solicitada para mim, aí vai uma resposta não solicitada, copiada para a lista dos docentes da EACH, já que há pelo menos uns quinze professores que já moraram no CRUSP.

Como ex-morador do CRUSP, ex-diretor da Associação dos Moradores e do movimento nacional de casas de Estudante nos anos 90 afirmo que a relação com o Coseas sempre foi muito complicada. Sou testemunha de muitas injustiças, arbitrariedades e abuso de poder por parte do COSEAS das quais posso relatar publicamente. Apenas para dar um exemplo, lembro-me da construção de estruturas de cimentos para armário, camas e mesa nos quartos, para evitar hospedagem e que casais dormissem juntos – apesar de nossas insistentes advertências. Além do desperdício de recursos, isso significou um peso que quase comprometeu a estrutura do edifício. Ademais, não havia colchões do tamanho da cama, o que obrigou o COSEAS a pesquisar com fabricantes para poder encomendar colchões – obviamente a um preço bem mais alto o do mercado, com evidente prejuízo ao erário público. Ora, que importava nossa opinião.

Outro exemplo foi a instalação de antena de retransmissão de celular no meio do CRUSP, sem consultar os moradores e com evidente risco à saúde dos mesmos. Creio que a maioria dos cruspianos sequer sabe disso. Eu fui saber mais tarde.

Nós, representantes dos estudantes, frequentemente, éramos mal recebidos em reuniões e raramente atendidos nos pedidos, por mais conciliatórias e razoáveis que fossem nossas demandas.

No meu tempo de estudante, as ocupações do COSEAS ou de Blocos só acorreram como último recurso devido à intransigência desse órgão. Boa parte das melhorias e direitos que conseguimos foi dessa forma.

O COSEAS afirma dos riscos sobre os dados sigilosos que estão guardados lá, pergunto: qual é a política de privacidade que vocês têm sobre esses dados? Vocês têm alguma? Por favor, então divulguem agora. Quem acessa os bancos de dados, hoje todos digitais? Na ocupação da reitoria, os estudantes reclamaram do vazamento desses dados.

Pelas explicações de vocês, aparentemente não existe nenhum problema que justifique a ação dos estudantes. Mas pelo histórico do COSEAS, não consigo me convencer de forma alguma.

Nós professores não somos massa de manobra para apoiar um lado ou outro. Apoio sim ao DIÁLOGO, com disposição para negociar principalmente do lado do COSEAS, que é o lado mais forte e, infelizmente pelo seu histórico, muitas vezes, omisso.

Jorge Machado

Docente

EACH-USP

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