O choque de gestão de Serra e do PSDB

Por Ricardo Maciel

À frente do governo de São Paulo, José Serra mostrou exemplarmente o que é o choque de gestão do PSDB. Em pouco mais de três anos Serra mandou bater em sem-terra, sem-teto, moradores da periferia, camelôs, estudantes universitários, funcionários das universidades públicas paulistas, professores da USP, estudantes secundaristas, manifestantes anti-Bush, funcionários públicos de categorias diversas, bater na própria polícia e ontem mandou descer porrada nos professores da rede pública de São Paulo. É tanta repressão que nem mesmo a “grande” imprensa, tão dedicada em protegê-lo, não encontrou meio de não deixar de registrar as cenas de pancadaria protagonizadas por ordem de José Serra ao longo dos seus lamentáveis pouco mais de três anos como governador. Basta dar uma busca no google, pesquisar nos jornais ou ir ao Youtube que está tudo lá. Bomba de gás lacrimogêneo, bala de borracha, cassetete e spray de pimenta são mais experimentados pela população de São Paulo do que em toda Palestina.

Neste diapasão serrista de resolver tudo a manu militari, lembremos que durante o governo Serra a Polícia invadiu bairros pobres, assentamentos, pelo menos três universidades (USP – duas vezes –, Unesp de Araraquara e PUC de São Paulo) e uma faculdade (Fundação Santo André).

Um governo que lança mão de tanta força, não dialoga com seu povo porque não quer ou porque não pode; no caso do Serra são as duas coisas. Um governo que só se valida pelo recurso à violência e a blindagem da “grande” imprensa (Globo, O Globo, Época, Folha de São Paulo – também conhecida como Ditabranda –, Estado de São Paulo, Veja e Rede Bandeirantes) – blindagem feita por adesão a um projeto elitista provinciano, mas muitas das vezes com indícios de ser comprada, afinal, ninguém esquece dos milhares de assinaturas  dos jornais Folha e Estado feitas para as mais de 5.000 escolas do estado; da revista Nova Escola (Grupo Abril) enviada, sem que ninguém tenha pedido, para milhares de professores do ensino básico; do patrocínio exclusivo e constante do SPTV 2º Edição (órgão oficioso de relações públicas do Palácio dos Bandeirantes); da preferência pela gráfica da Folha (Plural) para imprimir apostilas e materiais do governo; da compra de livros da Ática (Grupo Abril) etc. (um etcetera bem extenso), tudo feito na maior parte das vezes sem licitação, sem levar em conta que existem outros fornecedores, com uso de dinheiro público e autorização do José Serra. Enfim, um governo que apela para a truculência ao longo de toda sua duração, é um governo autoritário, antidemocrático e que não governa para a população, mas em nome de poucos, cujos interesses são inconfessáveis.

José Serra não tem mais autoridade moral para governar São Paulo (se é que algum dia teve); Serra só se mantém pelo uso da força e da farsa. E ele ainda quer ser Presidente da República. Esperamos que não seja, mas se for, vai faltar polícia e mentira para dar conta de mantê-lo no Planalto

Em tempo.: Os índices de violência em São Paulo não mudaram durante o choque de gestão de José Serra, nalguns casos subiram. Como a polícia esteve muito ocupada reprimindo movimentos sociais, é provável que seja essa uma das razões pela manutenção dos elevados índices de violência do Estado de São Paulo.

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