O Universidade Para Quem? reproduz carta escrita por professores da rede estadual de ensino que está circulando pela rede mundial de e-mails.O texto desmente alguns mitos que o Governador José Serra (foto) e certos veículos de imprensa reproduzem desde o início da greve do professorado.

Manipulação da opinião pública

Esclarecimentos

Na verdade, não existe salário de R$ 6.270,00 como faz crer a propaganda oficial. Trata-se de uma proposta que será concretizada no decorrer de 12 anos, caso o governo disponha de recursos orçamentários para este fim, e apenas para 20% dos professores que fizerem quatro “provões” e alcançarem as notas estabelecidas. Somente, um pouco mais de 300 deles (num total de 230 mil) chegarão no final destes ciclos e poderão receber tal salário.

O Jornal Folha de São Paulo, de 09/03/2010, diz que os salários dos professores variam de R$ 1.834,00 a R$ 3.181,00 no final de carreira, com uma jornada de 40 horas semanais.

Quem ganha R$ 3.181,00? Esqueceram de dizer que grande parte dos professores com 25 anos de trabalho e jornada de 40 horas semanais tem salário base R$ 1.253,14. Certamente, alguns diretores de escolas e professores com dois cargos recebem os salários citados acima pelo jornal, apenas uma ínfima parte que não representa a categoria no seu conjunto. Veja os dados abaixo:

-O salário base inicial dos professores de São Paulo é de R$ 909,32.

-O auxílio transporte é R$ 18,00 mensais, isso corresponde a. 6,7 passagens de ônibus.

-O vale refeição é de R$ 4,00 o suficiente para comprar 2 coxinhas e nunca um almoço

Os professores novos, bacharéis que não têm licenciatura plena (categoria O), incluindo aqueles que ainda são estudantes, mas que foram aprovados no “provãozinho” substituíram professores mais velhos porque estes não tiveram êxito nesta avaliação. No entanto os contratos desses professores vão de 15 de fevereiro a 23 de dezembro de 2010 e, após esse período, eles só poderão voltar a dar aula no Estado em 2012.

Destacando que parte dos que assumirem uma substituição de 30 dias vão ficar mais tempo fora da sala de aula. Isso desestimula os novos mestres a continuarem na profissão, além da injustiça com aqueles professores que tem vários anos de experiência e ficaram sem aulas. Apesar dessas medidas, o governador José Serra continua dizendo que está cuidando da nossa educação.É preciso implementar uma política de valorização dos professores coso contrário essa categoria profissional não se reproduzirá, pois os atuais salários eles não poderão colocar seus filhos em uma universidade de bom nível.

A melhoria das condições de trabalho e salário dos professores só ocorre na cara propaganda do governo paulista apresentada nas grandes redes de televisões. Nos últimos anos, o Governo vem praticando uma espantosa precarização das condições de trabalho dos professores e de aprendizado dos alunos da rede pública, como, por exemplo, com as salas super lotadas.

Na verdade, um grande número de escolas está com falta de professores e funcionários, enquanto a propaganda televisiva diz que há dois professores por sala.

O governador não respeita a data de dissídio anual (1o de março) e a reposição da inflação do ano anterior que todo trabalhador tem direito. Frente a estes problemas, os professores do Estado de São Paulo vêm paralisando suas atividades nas escolas, reivindicando 34,3% de aumento salarial (5 anos sem aumentos) apenas para repor as perdas desse período e melhores condições de trabalho. Portanto, a greve é um direito e os professores neste momento recorreram a este mecanismo para exigir o atendimento de suas reivindicações.

Nota dos editores do blog: este texto foi produzido por diversos professores da rede pública de ensino de São Paulo, e tem circulado pela internet. Omitimos os nomes dos signatários, visto sabermos que o Governo de São Paulo persegue quem lhes contesta. Decidimos publicá-lo, além de estarmos de acordo com o conteúdo dele.

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