Dimi ataca novamente

Gilberto Dimenstein

Por Ricardo Maciel

Gilberto Dimenstein, doravante apenas Dimi, é incansável em dirigir ataques mal disfarçados aos professores da rede pública de ensino de São Paulo. Mal disfarçados porque ele tenta fazer se passar como profundo conhecedor da educação, cuja opinião é destituída de interesse, senão sincera preocupação com a educação deste país e, particularmente, a de São Paulo. Mas não é bem assim, como veremos adiante.

Há muito tempo não leio a coluna do Dimi. Têm uns bons seis meses que resolvi não me aborrecer com a Ditabranda, por tabela, também com o Dimi. No entanto, vez ou outra alguém envia textos dessa figura tão espirituosa. Acabo por lê-los, afinal são amigos que os remetem, sempre penso que há alguma coisa de importante por ali, no fim descubro que meus amigos gostam de me sacanear.

O último que recebi é este que está abaixo, “Uma greve contra os pobres”.  Li e fiquei fulo da vida, afinal de contas, também sou professor da rede pública de São Paulo, dentre outras coisas – E digo dentro outras coisas porque é impossível se manter dignamente apenas dando aulas para os ensinos médio e fundamental do sistema público de São Paulo. Enfim, minha primeira reação foi escrever um desabafo, mas desisti (antes que esta afirmação pareça um falso perfomativo, aviso que desisti de escrever mais um texto analisando o que o Dimi escreve. Numa rápida pesquisa neste blog, verificar-se-á que há muitos, alguns com minha colaboração), se deixei a Ditabranda de lado, por que insistir no Dimi.

No entanto, junto com o pobre artigo contra os pobres professores, veio uma série de comentários de colegas de ofício, tão indignamos quanto eu e com bem mais paciência. Coletei alguns contendo boas respostas e deixei-os acompanhando o “Uma greve contra os pobres” (veja logo após este texto), limitando-me brevemente a esclarecer porque os artigos do jornalista da Ditabranda são mal disfarçados. Pois bem, vamos lá.

Quando o Dimi escreve o sujeito da enunciação não se encontra ali onde está o seu dizer. No fundo há intenções outras diferentes das que aparecem em primeiro plano, porém, só fica na superfície quem quer, e nem precisa ir muito fundo para ver de onde o Dimi escreve, em geral seus textos são rasos. E aí entra o mal disfarçado, posto que parece o Dimi escrever para atender a vontade e os interesses do patrão, e por tabela defender o candidato do patrão, mas, claro, procura fazer isso com ar de sinceros desinteresse e imparcialidade. Não pensemos que tal coisa lhe custa muito. Não, o homem gosta da condição de penduricalho das elites paulistanas, em troca tem espaço na Ditabranda, entra pela porta da frente na Casa do Saber, no Instituto Millenium, é convidado para as festas da High Society paulistana, sai na foto abraçado com o Serra, dá entrevista no programa no Jô, tem o FHC como fonte (mas quem não tem? Esse cara é o maior B.A. da história das fontes!)…enfim, se é contra pobre, adivinha quem está lá…? Não vou dizer que é o Dimi, mas também não posso afirmar que não.

Por fim, se o pessoal do blog topar publicar este post, não haverá outro da minha lavra comentando sobre o que escreve o Dimi. Portanto, quero ele…que ele…bem, descubra que existe um gourmet adormecido dentro de si e vire um bem-sucedido crítico de gastronomia.

Ricardo Maciel

(*) O primeiro título que me ocorreu para este artigo foi “Dimi defende os pobres”, mas percebi que isso denunciaria que sofro de um déficit de princípios lógicos. Como dizer que o  José Serra é pobre?

PS.: Lembra-me um amigo que o Dimi mantém uma ONG, cujos trabalhos parecem ser interessantes. Não conheço, também não duvido, no entanto, é muito provável que no caso do Dimi se encaixe com perfeição o que nos ensina Marcel Mauss quando introduz o conceito do Dom da Dádiva.

Segue abaixo artigo acima supracitado, bem como comentários deixados no UOL a respeito desse artigo:

Uma greve contra os pobres

(publicado originalmente em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u704224.shtml)

Por Gilberto Dimenstein

A greve decretada pelo sindicato dos professores de São Paulo é uma greve contra os pobres –a sorte do sindicato é que os pobres não sabem disso.

Não vou discutir aqui o pedido de aumento salarial (30%). O problema gritante é que, entre as reivindicações que levaram à decretação da greve, estão o fim das normas que reduziram a falta dos professores (podia-se faltar até 130 dias por ano), o exame para professores temporários, a nota mínima para os concursos, a escola de formação de professores (o novo professor tem de passar num curso de quatro meses antes de dar aulas) e, enfim, o programa que oferece aumento salarial para quem for bem em provas.

Suponhamos que se decidisse mesmo facilitar o absenteísmo (que já é grande) e reduzir medidas que valorizem o mérito. Quem vai sofrer não é o filho da classe média. Mas o pobre.

Tenho dito aqui que a profissão mais importante de uma sociedade é o professor. Sei que ele vive em permanente tensão, o rendimento é baixo, é vítima de violência. Nada pode ser mais importante do que valorizá-lo. Sei também como a classe é vítima de várias mudanças de secretários –o que ocorre dentro do PSDB em São Paulo.

Mas esse tipo de reivindicação contra o mérito não melhora a imagem do professor – é um desserviço que o sindicato faz à categoria.

A seguir comentários deixados em pagina do UOL para o artigo acima (clique aqui se desejar acessar diretamente na página do UOL)

Milton Fernandes Filho comentou:

Obrigado Dimenstein por trazer a discussão sobre o que é a favor ou contra os pobres !

Primeira coisa Dimenstein : em sua opinião, a manipulação que o Governo Serra (matéria deste mesmo jornal ! ) operou nos índices do Saresp é a favor ou contra os pobres ?
A convocação para a tal ‘Valorização por Mérito’ quando a Secretaria tinha certeza que ninguém estava nas escolas, em sua opinião : é a favor ou contra os pobres ?
Dimenstein, em sua opinião : a notícia da ‘ocupação paralela’ do Secretario Paulo Renato como ‘lobista’ de editora multinacional de material didático, é a favor ou contra os pobres ?
O currículo de importante executivo do FMI ( órgão máximo do sistema financeiro que agrega os maiores bancos privados do planeta) , do mesmo Secretário Paulo Renato e a conseqüente ‘inspiração pedagógica’ que vem do mercado financeiro para resolver os problemas das escolas ( dos pobres ! ), em sua opinião, é a favor ou contra os pobres?
Dimenstein, sou professor há mais de dez anos e não tenho nenhum problema em ser avaliado.
Modéstia à parte, acredito que faço meu trabalho muito bem e todo dia ironicamente recebo ‘queixas’ por quase nunca faltar.
Concordo bastante que no universo das escolas há absurdos e abusos indefensáveis que se o Governo realmente assim o desejasse – além de sua intenção de nos desmoralizar – já poderiam ter sido retirados há muito. Assim como em todo o serviço público. Instrumentos para isso não lhes faltam.
Infelizmente, como sempre neste país, só os ‘peixes pequenos’ são alcançados por medidas que além de moralizadoras também são ‘politiqueiras’ ! Lembra do caçador de Marajás ? –
Trabalho muito com Ensino Médio e há muito tempo que já perdi a conta quantos alunos ajudei a ingressarem em ótimas universidades e concursos públicos de qualidade.
Portanto, sem nenhum problema, gostaria muito de participar da tal ‘Valorização por Mérito’.
Seria a minha chance de calar a boca de muita gente que adora vomitar soluções para Educação, mas nunca encostou a mão num giz e muito menos sabe o que é olhar no olho de alguma criança pobre. Há mais de dez anos, diariamente, eu sei o que é isso.
Só que, mesmo desejando, apesar da minha experiência profissional não me permitir acreditar muito na seriedade deste governo ( que troca políticas públicas, secretários, delegados de ensino e diretores de escola – assim como Mano Menezes de escalação ) – mesmo querendo : não pude participar da tal ” Valorização por Mérito”.
Tal como milhares de colegas ao final de um longo ano de trabalho,fui ‘presenteado’ com a criminosa ‘convocação’ para a tal ‘ Valorização por Mérito’ realizada no apagar das luzes de 2009 ( dia 29 de Dezembro) quando o recesso escolar se iniciou a partir do dia 23 !
Você concorda com isso ? Acha que foi inocente ? Normal ?
Após todo um ano de trabalho e convivência diária, a Secretaria de Educação silenciosamente , como fazem os criminosos comuns e outros de terno e gravata, – escolhe ‘oportuna’ e maldosamente o momento ‘exato’ para a tão importante convocação para ‘Valorização por Mérito”!
Garantia absoluta e inequívoca de prejudicar a maior parte dos professores. Isso, em sua opinião é a favor ou contra os pobres ?
É só entrar em qualquer escola e perguntar aos professores para ouvir esta queixa.
Interessante , né ?
Aliás, você conhece ‘a fundo’ as verdadeiras regras para a tal ‘ Valorização por mérito’?
Acha transparentes ?
Aliás, conheceu – da mesma Secretaria – os programas de Bolsa para professores? Acha-os interessantes ? Transparentes ?
Já ouviu falar de professores ameaçados ?
Você já se perguntou o que motivou e motiva inúmeros professores a pedirem transferência de uma Unidade Escolar e assim serem impedidos de concorrer para sua promoção ‘ por Mérito’? E colecionar assim mais um elemento de desmotivação e mesmo desistência da profissão? Quer que eu lhe diga ? A possibilidade concreta de morrer ou enlouquecer !
Isso, em sua opinião é a favor ou contra os pobres ?
Acredita que é justo obrigar alguém a permanecer em locais onde corre risco de vida ? Você permaneceria nestes locais ?
Conheço vários professores em tratamento psiquiátrico por estes traumas. Tenho um amigo que em pouco tempo presenciou dois assassinatos em sua escola – foi afastado – e para o Governo Serra ele é considerado alguém que não tem ‘ Mérito” !

Fazer de conta que isto não existe, em sua opinião : é a favor ou contra os pobres ?
Já ouviu alguém falar de situações mais que aberrantes e inacreditáveis que de forma monótona existem aos montes em escolas e são devidamente abafadas pela SEE ?
Já ouviu falar de professores perseguidos apenas por questionarem a gritante falta de democracia e lisura que impera em boa parte das escolas ? Ou apenas por cometer o ‘capital pecado’ de sugerir o cumprimento da lei ? Passe um dia sequer nos deptos. Jurídicos das associações de professores e ouça os relatos.
Você sabe o que fim levou o ‘Estatuto do Magistério’, tão festejado em otimistas tempos do Governo Franco Montoro ?
Isso em sua opinião, é a favor ou contra os pobres ?
Você concorda que não deve ser coincidência o fato do Governo em suas declarações – como agora na publicação do Saresp – direta ou indiretamente ,sempre, sempre generalizar tudo de ruim que acontece nas escolas jogando tudo e todos na vala comum e nivelando por baixo ?
Você não acredita que se o Governo realmente quisesse valorizar o ‘Mérito’ não seria mais honesto um processo menos viciado do que este ? Onde, independente do ‘Mérito’ só um número muito reduzido ‘pode’ veja bem : ‘pode’ vir a ser premiado. Isso, é a favor ou contra os pobres ?
Última coisa. O fato dos professores estarem pleiteando por volta de 30% de aumento de salário, e a maioria esmagadora das pessoas de nossa sociedade- mesmo as que são contra a greve -admitirem que o nosso salário é vergonhoso. Isso, em sua opinião, é a favor ou contra os pobres?
Ah, me esqueci, sobre o salário você disse que não queira falar.
Isso também, será a favor ou contra os pobres ?

Um jornalista não tem o direito de me deixar o dia todo ofendido com tamanha mentira é um tipo de assédio moral , pois dar aula em uma sala de quinta série com 39 alunos e fazendo o impossível para ensinar pelo menos o que me ensinaram e após 18 anos receber líquido 2 salários mínimos por 20 aulas é heróico , sr. jornalista.
Quem ofende ao professor é inimigo.

Por desabafo.

Angelita Perin comentou:

Caro Gilberto Dimestein, sou educadora gaúcha há 24 anos e fiquei perplexa ao ler sua coluna on line, pois acreditava que o autor que sempre usei em aulas de Sociologia era um jornalista crítico, combativo e sensível à causa dos oprimidos. Porém, fiquei muito triste em perceber que o autor de Cidadão de Papel, parece estar se dissolvendo assim como o papel se dissolve na natureza. Mas como afirmava Lavousier,”nada na natureza se perde, tudo se transforma”, ainda tenho a crença de poder fazer brotar vossa sensibilidade com a causa dos educadores, sejam eles/elas moradores de estados federados diversos. No Rio Grande do Sul, também tivemos que nos mobilizar em 2009, para que nosso Plano de Carreira, o primeiro do Brasil, não fosse totalmente descaracterizado, com o acréscimo da questão da Meritocracia, entre outras questões. Não foi uma luta fácil, mas pela força da categoria, postergamos para esse novo ano, outras batalhas, evitando tal mal. Convido-lhe a “encharcar-se” da realidade novamente, quanto a Escola Pública brasileira, como diria Paulo Freire, a fim de poder posicionar-se com conhecimento de causa. Ainda sou uma educadora que não perdeu a utopia!

Wagner Carvalho Rocha comentou:

Seus comentários não acrescentam em nada Gilberto, e depois quem não tem filhos estudando em escola pública, como você, esta dando a mínima para real situação. Por favor, se não for pedir muito, se expresse de forma mais inteligente que isso da próxima vez.

Silvia Souza comentou:

Certamente o sr. digno jornalista teve uma resposta brilhante. Esse apoio incondicional à política do PSDB está desabonando não apenas os professores, mas o próprio jornal. O senhor envergonha esse distinto jornal. Conheça realmente as políticas de repressão contra os professores; os motivos para as faltas; quem sabe se o governo resolvesse valorizar realmente a profissão colocando menos alunos nas salas (45 é o atual), remunerando decentemente, professor não precisasse fazer bico ou dar aulas em 4 ou mais escolas e ficar doente. O curso para os ingressantes será mais uma farsa do PSDB, como tantas outras. Eu mesma participei do fingimento dos cursos de capacitação que não abordam a realidade das escolas, nem do centro, quem dirá da periferia. Por causa de pessoas como você larguei a profissão, como o colega está prestes a largar. Pense antes de escrever, não é censura, é apenas o uso da razão, quem tanto nos custou com o advento do iluminismo. As provas são farsas bem montadas pelo governo. Acuso o antiprofissionalismo do Governo de São Paulo que não diferencia estudantes de professores formados e com experiência. Hoje basta se matricular na universidade, colar numa provinha, e dar aula para os filhos dos pobres. Diga-me, quem está desmerecendo e fazendo com que os filhos dos pobres (ressalto que minha filha sempre estudou em escolas públicas) não tenham acesso à boa educação? São os professores senhor jornalista, ou é o governo?

SERGIO CORREA comentou:

Mesmo querendo acertar o Sr. comete a coerencia de errar ; claro, em seu conforto de ar condicionado, nunca riscou uma lousa , nunca sentiu o cheiro do giz . Diga-me , educador onde ensinastes?

Mesmo que vc se esforce , continua sendo pobre de uise um pouco Sr. up class; o Sr. não aprendeu nada apesar do retrovisor enorme ; de vez em quando a catraca é mais eficiente calada…………

Fernanda Amaral comentou:

Sr. Gilberto Dimenstein permita que eu me apresente.
Me chamo Fernanda, fiz o Ensino Médio todo em escola pública do estado de São Paulo. No terceiro ano do E.M. trabalhava durante o dia e estudava a noite. Prestei vestibular sem nunca ter pisado num cursinho e passei no curso de História da Unesp. Me formei numa das melhores Universidades do pais no curso por mim escolhido. Ao final do 4° ano prestei a prova da Secretaria de Educação de São Paulo para efetivação no magistério. De 23 600 inscritos, apenas na minha área, fiquei entre os 600 primeiros colocados. Trabalho no estado há 5 anos e posso dizer que sou reconhecida pelos alunos como uma boa professora, afinal a deles é a única opinião que me importa. Tenho 30 aulas e me dedico exclusivamente ao magistério, e conheço meus 400 alunos por nome. Por tudo o que disse não me considero uma pessoa despreparada para exercer o cargo que ocupo.
Agora vou lhe dizer como é meu dia a dia. Já tive, em 2008, 6°ano (5°série) com 40 alunos na sala e segundo a proposta de progressão continuada eu deveria avaliá-los individualmente e atender as suas necessidades especificas. Me esforcei para fazer isso. Verifiquei que havia alunos que não sabiam escrever enquanto outros estavam preparados para seguir o conteúdo pertinente a série que cursavam. Tentei levar atividades diferenciadas para cada grupo a partir das necessidades mais aparentes, Isso fez com que eu fosse muitas vezes três professoras em uma, pois cada grupo de aluno tinha uma dificuldade. Porém, cheguei a um ponto onde não sabia mais como ajudá-los já que não tenho formação em alfabetização e fui pedir ajuda na Diretoria de Ensino. A resposta que recebi foi: agora estou saindo de férias me liga daqui a 30 dias e sinceramente não sei se poderei ajudá-la. Como se meu aluno pudesse perder 30 dias de conhecimento.
Se o governo quer que avaliemos os alunos individualmente, que nos dê condições para isso, diminuindo os alunos por sala. No ano de 2009 a minha escola tinha 46 salas, hoje tem 38. Será que não era melhor para educação se ao invés de 40 por sala hoje, tivéssemos as mesmas 46 classes com 25 alunos?
Sexta-feira, dia 5 de março, o vice-diretor da escola onde trabalho impediu que alunos usassem drogas dentro da escola, ao ir embora por volta das 20:00 foi abordado por dois homens e uma arma que lhe deram apenas um aviso: Você tem uma semana para deixar a escola.
Em cinco anos faltei menos de 30 dias, contando 10 de uma licença saúde por síndrome do pânico desencadeada devido à profissão que exerço. Por esse motivo vou ao médico pelo menos 2 vezes ao mês todos fora do meu horário de trabalho
Depois de um mês de trabalho e uma vida de dedicação recebo míseros R$1.500,00. Particularmente não sou contra a prova de aumento salarial por mérito, desde que o governo do estado faça a reposição da inflação anualmente respeitando a data base que é março. O senhor se tiver registro em carteira deve o receber o dissídio, por que não posso ter esse beneficio? Por acaso o senhor é melhor do que eu?
Tive um aumento de 13% em 2005 e mais 14% de gratificação que o governo quer incorporar em três parcelas nos próximos três anos. Tive mais  5% de aumento em 2008 depois de uma greve, porém como tinha aula numa sala de recuperação de ciclo, que pela proposta os alunos deveriam ter um tratamento diferenciado, o que só é possível se a sala não for numerosa, porém como era uma sala com cerca de 20 alunos ela foi fechada, eu perdi as aulas e não tive aumento algum.
Se o senhor conhece tão bem a situação dos professores da rede publica para criticar nossa greve tenha por favor a dignidade de colocar no seu próximo comentário a cópia do seu Holerith, pois no que me diz respeito posso provar todas informações que coloquei aqui.
Agora se o senhor não tem um holerith, que comprove a sua efetiva participação no magistério da rede publica de São Paulo abra mão do excedente de seu salário e passe seis meses com apenas R$ 1.500,00 na sua conta e troque de lugar conosco: VÁ PARA A SALA DE AULA.
Enquanto não fizer isso, tenha a bondade de não se posicionar contra algo que desconhece.

Luiz Chadad comentou:

Caro Dimenstein, falta-lhe vivência e conhecimento sobre o cotidiano da escola pública em São Paulo. O senhor já parou para ver quantos professores da rede oficial podem atingir o teto da nova proposta do plano de carreira? A crítica que existe por parte da categoria não é pela prova em si, pois todos que podem fazê-la já fizeram concursos públicos e pouco temem mais uma avaliação. A crítica é a falta de clareza no projeto, e logo, a equivocada divulgação feita pela mídia (incluindo sua coluna na folha). A questão salarial tem que ser discutida, além da falta de estrutura para a prática docente. Fui professor efetivo por duas oportunidades… e exonerei após 1 ano de trabalho nas duas ocasiões. Tinha de pagar as cópias das provas (500 por bimestre) do meu próprio bolso, senão os alunos não faziam provas… Gostaria que sua coluna registrasse isso. Os problemas são maiores do que seus curtos olhares e suas pobres letras podem relatar…Uma pena utilizar seu espaço nesta mídia (folha) para promover a política educacional de São Paulo, sem ao menos conhecê-la a fundo.

Lucien Rocha comentou:

Senhor Gilberto Dimenstein,
Li atenciosamente o artigo “Uma greve contra os pobres” responsabilizando os professores e sindicato por todo o caos que se instalou na educação paulista e me questiono de qual lado o senhor está. Digo isto porque para expor tais pensamentos há a manifestação de sua ignorância total do cotidiano escolar, ou em última análise
o senhor é um mal intencionado defendendo a bandeira tucana de forma
escusa.
Primeiramente, preciso dizer que não pertenço a nenhuma sigla partidária, mas como cidadão que conhece os seus direitos luto por maior dignidade na carreira do Magistério.
Coisa que o senhor não faz. Muito pelo contrário.
O senhor não diz nada sobre a DELIBERAÇÃO CEE Nº 09/97 que instituiu o regime
de progressão continuada e promoveu a queda abrupta dos índices educacionais do estado mais rico da nação. Afinal de contas não é necessário se esforçar tanto para conseguir a promoção. O Estado garante isso pela força de sua caneta.
Depois vem a Secretaria da Educação avaliar os alunos no SARESP exigindo resultados. Mas no quesito eficiência todos eles estariam reprovados.
Quanta lambança nesses quinze anos! Isso o senhor omite.
A suma é que enquanto houver a continuidade desse tipo de política educacional não haverá melhoria significativa. O governo que aí está é contra os pobres, pois para ele o que importa são os números. E para que os números se adaptem aos seus interesses
eleitoreiros, mudam-se as regras do jogo com a partida já iniciada.
Ninguém tem medo de avaliação, mas deve ser tratada com seriedade. E o senhor não é sério. Por isso eu digo: tudo o que acabei de ler não passa de esterco! E que me desculpe o esterco por compará-lo a tais palavras insanas.

Cremilda Teixeira comentou:

Caro Gilberto, sou professor efetivo da Rede Estadual. Desculpe a falta de modéstia mas não me considero um incompetente. Sou formado em Biologia pela UNESP e tenho mestrado em Genética também pela UNESP. Estou tentando terminar o doutorado. Sei também que dou boas aulas, pois embora as faculdades de licenciatura, principalmente as públicas e nas áreas das Ciências tenham uma tendência a valorizar mais a formação de pesquisadores do que de professores, procurei ao longo do tempo estudar e encontrar formas de fazer com que o aluno aprenda. Tenho compromisso com aprendizado dos meus alunos. Mas sinceramente, não aguento mais. Há dias em que eu literalmente choro por ter escolhido ser professor. Não somos valorizados pelo governo, pelos alunos, pela mídia, por ninguém. Estou em greve não contra os pobres e nem contra partido político algum. Estou em greve porque gostaria que a sociedade percebesse nossa situação. Você deveria utilizar a possibilidade de ter acesso a mídia para nos ajudar. Se não pode nos apoiar então por favor não diga nada. Gostaria que você realmente conhecesse nossa realidade, que conhecesse nossas angústias e então pudesse falar do que sabe.

Denilto Carvalho comentou:

O SENHOR DIMENSTEIN COMETE UM GRAVE PECADO DO JORNALISMO, OPINAR DE UM ASSUNTO E DEMONSTRAR EM SUA OPINIÃO QUE ESTÁ DITO QUE SEJA UMA GREVE A FAVOR DOS POBRES! POIS A BUSCA POR UMA QUALIDADE DE ENSINO AO FINAL DAS CONTAS PROPORCIONAM MAIORES POSSIBLIDADES PARA O EGRESSO DO ENSINO MEDIO PRESTAR UM CONCORRIDO VESTIBULAR. AINDA QUE ALGUNS DOS ITENS DA PAUTA DE REINVINDICAÇÕES POSSAM SER QUESTIONÁVEIS O ÚNICO E SIMPLES FATO DO ENSINO PUBLICO PAULISTA ESTÁ AQUEM ( E MUITO!) DOS QUE DESEJAM CONCORRER HÁ UM CONCORRIDO VESTIBULAR, JÁ SERIA MOTIVO DE PROTESTO! LOGO UMA GREVE CONTRA OS POBRES SERIA A APATIA E O CONFOMISMO POR UMA SITUAÇÃO QUE SE ESTENDE HÁ VARIOS ANOS E QUE INFELIZMENTE FORMADORES DE OPINIÃO DEMONSTRAM SE NÃO DESATUALIZAÇÃO, MÁ-FÉ OU PARCIALIDADE.

Cremilda Teixeira comentou:

Professor é a classe de trabalhador mais valorizado pelo povo. Só perde para o Corpo de Bombeiros, nós os pais respeitamos e gostamos dos professores. Pena que a reciproca não seja verdadeira.
Outro professor fala que muitos usam atidepressivos. Isso que dácer uma função sem estar preparado para ela.
Ensinar não é uma tarefa fácil, precisa vocação.
O que um educador faz, o que faz um professor com vocação com um pé nas costas o mau professor acha que é uma tortura….
Tem mais é que tomar antidepressivo e baixar sempre na Psiquiatria, deve ser enlouquecedor exercer uma função para a qual não se tem vocação…

Nei Mendonça comentou:

DE NOVO DIMENSTEIN – O COLUNISTA DO SERRA E DO PAULO RENATO     Olha Dimenstein estou cansado de seus textos a favor dessa política do governo do Estado de São Paulo. Por que não te calas?! Não tem como fazer uma omelete, uma gemada, sem quebrar os ovos. Claro que toda greve tem consequência. Os professores terão que repor conteúdos, repor aulas, descontos das faltas, se for o caso, os alunos ficarão sem aulas, não se consegue nada somente conversando, brincando de faz de conta, com o governo. Esse desmonte da educação, esse sucateamento que já vem sendo realizado faz tempo é obra de governos neoliberais como esse do PSDB. A proletarização, o achatamento salarial da categoria já é algo tramado há muito tempo. Eu nunca vi um artigo seu elogiando a categoria dos professores, estou dizendo um elogio sincero, demonstrando que é sensível à causa dos professores, sem parcialidades, sem ficar a todo o momento dizendo que não estamos agindo corretamente. Então nos dê uma solução, mas que não seja essa humilhação que nos está sendo imposta por esse governo. Porque na realidade, ou bem ou mal, nós, os professores do Estado, é que estamos dentro da sala de aula enfrentando as adversidades, que não são poucas. O professor não pode viver só de promessas (falsas). O professor, depois de tantos anos de dedicação agora tem que, além de estudar pra preparar aulas de várias séries diferentes, ainda tem que estudar uma bibliografia super extensa pra fazer provas visando uma promoção. Isso não está correto… Divide a categoria, criam castas dentro da categoria. O governo, e você também, é que são inimigos dos pobres, pois vocês passam a nítida impressão de que querem perpetuar essa mísera condição de vida do professor e do ensino. Nós não podemos esperar mais, esta é a questão.  Nós não somos os algozes, somos as vítimas. Até quando teremos que nos submeter aos caprichos de gestões diferentes?!Por que não aplicar provas visando promoção para os magistrados, para os vereadores, para os prefeitos, promotores, etc.?! Existem outros mecanismos de aperfeiçoamentos e melhoria da qualidade de ensino. Este que está sendo adotado humilha o professor, constrange alguém que bem ou mal vem se matando nos três períodos pra dar suas aulas, às vezes em cidades  diferentes… Pois essa atribuição de aulas também é outra excrescência do sistema. Vocês parecem que são cegos, não enxergam o óbvio… Ou estão agindo de má fé… Não existe outra explicação. A última hipótese é a mais provável. Sinceramente, na minha modesta opinião, de professor de geografia, você não aprendeu muito ao longo da sua vida… Há muito tempo que você vem regredindo… Antigamente eu nutria algo bom em relação a você. Agora nutro desprezo pela sua foto em sua coluna e por sua pessoa. Não vejo mais coerência, não vejo mais nada em você. Quanto mais leio seus escritos mais aumenta o fosso.  Você subestima os nossos sindicatos, subestima nossa inteligência… Enfim, você escreve artigos curtos, sem embasamento teórico, tendenciosos, e além do mais, maldosos, de alguém que se perdeu nos labirintos da pseudo intelectualidade.      Nei Oliveira de mendonça   EE Otoniel Mota (a escola do Estado que mais coloca alunos em universidades públicas)   Ribeirão preto, 09/03/2010

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