Base do governo Serra boicotou audiência pública sobre terceirização do ensino de línguas no estado

Por Chico Cabral

Há dois dias publicamos neste blog um texto sobre a implementação do ensino de espanhol no estado de São Paulo, que se configura como um avanço das privatizações na educação e um retrocesso no processo de integração latino americana em curso desde a aplicação da lei 11.161. Com muito pesar e revolta notificamos que a audiência pública marcada com a comissão de educação da ALESP foi boicotada por toda a base de apoio do governo Serra, de forma que seu não comparecimento impediu que se obtivesse quórum necessário para uma reunião da comissão.

Ocorreu uma audiência pública que contou com a presença de: Carlos Giannazi (PSOL), Maria Lucia Prandi (PT) e Roberto Felício (PT). Os demais deputados que compõe a mesa: José Bruno (DEMO); Camilo Gava (PV); Milton Flávio (PSDB) não compareceram e não enviaram seus designados substitutos. Segundo os deputados presentes esta é uma prática freqüente usada pela base governista para impedir os trabalhos da comissão. É revoltante ver que os deputados pagos com o dinheiro do povo não cumpram as funções que lhes são atribuídas.

Mais uma vez o que vemos são as marcas de um governo autoritário, que não está disposto a dialogar com a comunidade e desrespeita os profissionais da área. A Secretaria de Educação foi chamada para esta e outras reuniões com a APEESP e não compareceu a nenhuma. Será que falta democracia ou falta coragem para realizar um debate amplo com a sociedade sobre o tema?

Na audiência estavam cerca de 60 pessoas entre professores universitários, estudantes de espanhol, professores dos atuais CELs (Centros de Estudos de Línguas), estudantes do CELS e representantes de entidades estudantis e de professores de idiomas. Discutiu-se a atual situação precária dos CELs, os avanços da privatização (tanto no ensino como na formação de professores), o modelo monolíngüe que está sendo implementado no estado e a forma autoritária como o atual governo conduz a questão.

Decidiu-se por realizar um encaminhamento protocolado à comissão e à secretaria de educação do Estado com alguns pontos que transcrevo sinteticamente aqui:

1-      Pela defesa de um educação plurilingüísta

2-      Defesa da licenciatura como uma formação presencial e de qualidade baseada no sistema de ensino superior público.

3-      Garantia, expansão e manutenção dos Centros de Estudos de Línguas (CELs) que vem sendo precarizados para a implementação da terceirização.

4-      Não à terceirização dos cursos de línguas

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