Ontem, durante a posse do novo reitor da USP, do lado de dentro da sala São Paulo, João Grandino Rodas falava que “Há mais de 10 anos, instalou-se embate de pessoas, com calendário prefixo e com ocorrência cada vez mais frequente. Muitas vezes, rareou o respeito mínimo indispensável entre segmentos da universidade, tendo a força/violência sido utilizada de maneira corriqueira, gerando um pernicioso círculo vicioso, tanto para a universidade quanto para todos os seus componentes”, sendo preciso cessar este estado de coisas por ele apontados, de forma que seria necessário instalar “um diálogo real; que se busquem consensos específicos; e, acima de tudo, que impere a boa fé”. Do lado de fora, estudantes e funcionários protestavam contra Rodas, Serra e Kassab, protesto que redundou, como todos em São Paulo, reprimido pela Polícia, cujo saldo final foram três estudantes presos e alguns feridos.  Evidentemente ninguém da Reitoria deu as caras para dialogar com os manifestantes ou procurar evitar o confronto com a Polícia. Assim começou a era Rodas: “um diálogo real” através da força.

Claro, pode-se dizer que ele está começando sendo preciso dar um crédito antes de qualquer pré-julgamento. No entanto, olhando para o passado recente do reitor e conhecendo a estrutura de poder da USP, nada aconselha esperar por um “diálogo real” marcado pela “boa-fé”. Como falar em diálogo com a ínfima representação de estudantes e funcionários nos fóruns decisórios, sem mencionar a sub-representação dos professores doutores, sendo, assim, uma relação largamente assimétrica entre os que decidem e os que não decidem? Como esperar por diálogo com um histórico de decisões ao arrepio da vontade da maioria da Universidade ou ainda sem nenhuma consulta ou debate? Como acreditar em diálogo quando este, na USP, tradicionalmente foi jogo de cena? Por fim, como esperar “boa-fé” e diálogo partindo de quem defende a Polícia dentro do campus e, principalmente, fez um acordo com estudantes, em 2007, e algumas horas depois praticou o contrário do acordado?

Diálogo, no sentido em que o senhor Rodas propôs, se dá entre iguais. Se ele de fato o quiser, um bom começo seria considerar seriamente uma estatuinte na USP, livrando-a do estatuto que remonta à Ditadura Civil-Militar e de ser a universidade mais autocrática do País. Mas, nesse caso, o que faria João Grandino com seus apoiadores e com o governador? Será que ele toparia não entregar o que prometeu em nome do “diálogo real” e da “boa-fé”?

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