janeiro 2010


Ontem, durante a posse do novo reitor da USP, do lado de dentro da sala São Paulo, João Grandino Rodas falava que “Há mais de 10 anos, instalou-se embate de pessoas, com calendário prefixo e com ocorrência cada vez mais frequente. Muitas vezes, rareou o respeito mínimo indispensável entre segmentos da universidade, tendo a força/violência sido utilizada de maneira corriqueira (mais…)

Toma posse hoje o novo reitor da USP, João Grandino Rodas, em cerimônia fora da Universidade, na sala São Paulo, no centro da cidade. A cerimônia se faz fora não por acaso, como não foi por acaso a eleição também ter ocorrido da mesma forma: não houve legitimidade na escolha, por consequência não é legítimo o novo reitor. Assim, manifestações que evidenciam crise e que algo de errado e podre vai pelo reino da USP, são evitadas pela distância e outros métodos típicos de quem governa para poucos. O pedaço roto da roupa deve ficar oculto. (mais…)

Publicamos abaixo palestra proferida, em Brasília,  pelo professor Luiz Costa Lima, A praga do beletrismo, publicada originalmente na revista Eutomia, Ano 2 V. 2, 30 de dezembro de 2009 (www.eutomia.com.br) onde fala sobre a situação atual dos cursos de Letras.

A Praga do beletrismo

O fato de este convite vir de uma instituição sediada em Brasília talvez tenha provocado em mim uma reação quixotesca. Quixotesca porque, depois de algum outro combate contra algo mais palpável e agressivo do que carneiros ou moinhos de vento, entusiasmado, me disse: quem sabe se, falando próximo à sede do poder, algo do que venha a dizer não seja ouvido por alguma autoridade, com força e competência na área específica de que tratarei. Por essa razão, meu primeiro impulso foi fazer um exame técnico do currículo de letras – do que hoje dizem-me chamar-se fluxograma de orientação – e de pedir a amigos que ensinam no estrangeiro uma informação sobre como seu departamento acolhe seus alunos, com o propósito de estabelecer uma comparação com o que se faz entre nós. Logo entretanto me disse que, se levasse a cabo esse propósito, estaria apenas me preparando para outra decepção. Ainda que, na melhor das hipóteses, minhas observações chegassem aos ouvidos de alguma autoridade adequada, não seria de esperar que ela atendesse, sequer em linhas gerais, o que ali sugerisse. Por isso mantive muito pouco do que resultara daquele primeiro impulso. O que então guardei é formulável em mínimas linhas. A elas dedico o que de imediato se segue. (mais…)