Estamos em um contexto em que, para muitos, movimento estudantil é sinônimo exclusivamente de disputa eleitoral. Longe de ser essa a real necessidade de se ter estudantes em movimento, não se deve negar que há uma forte influência desse processo no transcorrer das ações praticadas por organizações políticas e estudantes “não organizados”, mas não sem posicionamento político.

É desse amálgama de relações que descobrimos o texto a seguir, em que um estudante – que autorizou sua publicação – traça a sua avaliação do processo eleitoral para o DCE da USP.

Que este não seja o último: enviem suas avaliações para universidadeparaquem@gmail.com

O Retrato da Incompetência

por Ewerton da Silva Vilela, estudante de Ciencias Sociais da USP

A incompetência do PSOL
De todos os incompetentes talvez esse ano o menos incompetente tenha sido o Psol, que mobilizou todo o seu gigantesco aparato partidário uspiano para retomar o DCE. Ainda assim sua incompetência é notável, para ganhar o pleito teve de se utilizar de fraudes em urnas em pontos estratégicos de votação da Reconquista (e o pior, nem foram competentes para encobrir tais fraudes). Manchou o q restava da imagem do Diretório Central dos Estudantes da Universidade de São Paulo.

A incompetência da Direita
A direita conseguiu finalmente se organizar, angariou votos com a proposta de um DCE apático (mais?) com funções e aspirações menores do que um Grêmio de colégio. Mas estes alunos foram ainda mais incompetentes, não souberam fazer campanha, não souberam fiscalizar o processo eleitoral e  perderam, mesmo contando com a “ajudinha” da mídia burguesa de massas.

A incompetência do PCB
O PCB levantou a bandeira  de um DCE legalista, a serviço dos alunos e não da política, talvez até colasse, mas foram incapazes de perceber que esse discurso não colaria pra concorrer com uma chapa claramente de direita como a Reconquista, que conseguia reproduzir este mesmo discurso de uma forma muito mais convincente.

A incompetência do PSTU
Ano passado numa jogada de mestre o PSTU ganhou as eleições para o DCE com uma jogada já bem conhecida por muitos partidos no cenário nacional da democracia burguesa, isto é, vamos falar pra eles o que eles querem ouvir. Adaptaram seu discurso aos diversos nichos eleitorais, na poli pareciam estar mais a direita, na FFLCH mais a esquerda. Este ano foi provado que não estavam nem de um lado nem de outro, estavam a esquerda demais para os direitistas e a direita de mais para os comunas. Sua estratégiar de tucanar a política universitária fracassou.

A Incompetência da oposição de fato, PCO e MNN
Os dois grupos supra citados atuaram juntos no primeiro semestre e com uma política ( ao menos na maioria das vezes) coerente com as lutas travadas. Pela democracia direta, pela queda da burocracia acadêmica, contra a demissão de dirigentes sindicais… Mas foram incapazes de lutar de forma conjunta nas eleições para o DCE. Por idiossincrasia não somente dividiram seus votos ao meio (obviamente com mais vantagem à negação que tem um discurso melhor formulado para a pequena-burguesia universitária) como também perderam o apoio de vários que lutaram não sob uma bandeira, mas sob uma luta. Grande incompetência.

A teoria dos jogos de John Nash estava errada, porque nem sempre os agentes agem racionalmente.

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