Leitores do blog deixaram comentários sobre as eleições uspianas, bem como a análise do professor Ruy Braga aqui publicada. Uma delas é do escritor Guilherme Scalzili, que reproduziu nos comentários texto veiculado em seu blog.

Publicamos abaixo esses comentários:

A ditadura uspiana

Guilherme Scalzilli

A Universidade de São Paulo elege novo reitor em ambiente de conclave. O sistema é indireto, por colegiado, com participação majoritária de professores e minoritária de alunos e funcionários (que, somados, não chegam a um terço dos votos).

Os debates entre candidatos são rasteiros, protocolares. Até parece que, meses atrás, a cavalaria não atacou civis que protestavam contra a princesa do campus. Espertamente, os pretendentes apenas pincelam as questões mais delicadas e urgentes, repetindo o ramerrão do burocrata-que-sabe-o-seu-lugar.

O sistema eleitoral das universidades públicas é uma excrescência legada pelo regime militar. Como alguém ainda pode apoiar o delírio excludente segundo o qual um professor “vale” mais que dezenas de outras pessoas que vivem no mesmo ambiente? Os estudantes são obrigados a eleger deputados estaduais mas não podem escolher o administrador da universidade onde passam importantes anos de sua formação pessoal.

A arbitrariedade não é gratuita. Toda uma rede de favorecimentos pessoais e uso irregular de verbas públicas depende desse sistema decisório verticalizado. Ninguém vai arriscar uma brilhante carreira (e bolsas, e bonificações, e diplomas grátis!) para defender os interesses de moleques cabeludos.

O corpo docente adora posar de donatário ilustrado das coisas públicas, o guardião do castelo do saber. Os departamentos e gabinetes odeiam prestar contas e os governos estaduais preferem fingir que a tal autonomia universitária é compatível com esse viciado ambiente de interferências políticas. E o movimento estudantil, empenhado em festas e ocupações inócuas, não pode reclamar muito, já que, afinal, a própria UNE elege sua diretoria por método semelhante.

A didática brutalidade dos protestos recentes mostrou estar próximo o dia em que esse gigantesco vácuo de legitimidade tomará proporções realmente transformadoras. E ninguém poderá fingir surpresa.

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Suely Vilela saiu vitoriosa

Vcs estão falando em larga medida do movimento docente, que realmente não é lá grande coisa atualmente. Só que o ME também não, haja vista a decisão patética de se manter neutro na eleição. No fim das contas, a Suely, que voces vivem chamando de inepta, deu um nó em todo mundo, foi a grande vitoriosa até este momento. É bem grande a chance de ela emplacar os três nomes na lista, quer dizer, o Glaucius, Corbani e Ruy, dando uma rasteira no Serra, na Adusp e ME.

Bem, de qualquer jeito, e o que me vai fazer? Tristemente: NADA!
Camila

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Candidatura de Chico de Oliveira não unificou o movimento. A de Chico Miraglia não representou protesto

Concordo plenamente com a Joana, a anti-cadidatura do Chico findou por ser também, de uma certa forma, anti-esquerda.

Porém, dizer que o voto no Miraglia era voto de protesto, como dizem alguns, francamente. Para quem irá os votos dele no segundo turno? Na sua ampla maioria para o Corbani.
Abs,

Pedro Calamari

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Ora… se a crítica às eleições democráticas construída pelo movimento docente é a ausência da participação de funcionários e estudantes no processo, essa crítica deve ser dirigida, em primeiro lugar, aos funcionários e estudantes. Para denunciar concretamente o autoritarismo brutal que vigora na USP, nada mais coerente do que praticar a eleição democrática alternativa, demonstrar à comunidade aquilo que defendemos. É uma proposta que enfrenta a Reitoria, ao mesmo tempo em que massifica a defesa das Diretas. A defesa fraseológica da democracia na universidade está ultrapassada: essa democracia será sempre abstrata, enquanto não houver disposição de disputa política de massas da comunidade universitária. E enquanto não soubermos unificar as forças sociais e políticas em torno de alguns métodos comuns, que ampliem os projetos do movimento para fora de si próprio… coisa que a anti-candidatura do Chico de Oliveira, com todo respeito, na minha opinião absolutamente NÃO fez.

Joana

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