Face ao que vem acontecendo nos últimos dias, republicamos post deste blog, de 03 de julho, referindo-se aos acontecimentos de 09 de junho.

Cada vez mais parece que, na USP, quem solta os cães não é polícia, mas o inverso.

Bombas, balas e indifenreça

You can fool all the people some of the time, and some of the people all the time, but you cannot fool all de people all of the time

Muito foi dito sobre a ação da PM em 09 de junho passado na USP, sendo assim, queremos repassar um ponto em especial.

Nesse dia, até quem estava na raia olímpica podia ouvir o estampido de tiros, a explosão das bombas de gás lacrimogêneo e de concussão, helicópteros sobrevoando; viam também a fumaça branca das bombas que se espalhava por boa parte do campus. Da FFLCH via-se e ouvia-se mais: gritos de pessoas em pânico ou indignadas; desespero dos que corriam da Polícia, que atacava indiscriminadamente. Sentia-se, inclusive, o cheiro incomodo do gás lacrimogêneo.

Alguns dos que viram e ouviram, mesmo diante do estado de horror, fecharam-se em sala de aula para tocar o cotidiano como se nada acontecesse.

Sabemos que nessas horas os indivíduos são tomados pela emoção, mesmo quem mantém o sangue frio e se conduz  pela razão, tem ciência da gravidade e procura agir de acordo com a urgência do momento, não ficam indiferentes. Mas aqueles que estavam na FFLCH e agiam como se tudo estivesse normal, emoção certamente não tiveram, frieza talvez, indiferença sem dúvida.

Posteriormente, uma das salas onde ocorria aula e prova, foi tomada por uma centena de estudantes indignados, que postaram-se à porta. Há várias versões para o que se seguiu depois. Os que estavam do lado de dentro, até então indiferentes a tudo, soltaram cartas falando que foram agredidos no seu livre-arbítrio, no seu direito de ir e vir e, no caso, de fazer prova. No entanto, nessas cartas, em momento algum mencionaram que foi no dia 09 de junho de 2009 – quando seus colegas, alunos, professores e funcionários, eram alvo da violência indistinta da Polícia–, que aconteceu o que chamaram de agressão ao livre-arbítrio e ao direito de ir e vir (estudantes que foram até a referida sala dão versão diferente). O que dizer desta omissão? Sabemos que para tolerar a própria infâmia, muita das vezes o sujeito acrescenta um tanto de lenda ou omite o que lhe é prejudicial e insuportável à consciência.

Não poderíamos deixar de comentar isso, afinal, a história é feita de fatos, mas geralmente não são esses que ficam, mas o que é dito e escrito no dia seguinte. Por isso, contextualizemos o que alguns preferem descartar.

Por Universidade para quem

Anúncios