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A farsa que é a eleição para reitor da USP, além dos candidatos Armando Corbani FerrazGlaucius Oliva, João Grandino Rodas, Ruy Alberto Corrêa Altafim, Sylvio Barros Sawaya e Wanderley Messias da Costa, conta agora com as candidaturas de Sônia Teresinha de Sousa Penin (diretora da FE e ex-pró-reitora de graduação da gestão Melphi), Francisco Miraglia Neto (professor do IME e diretor da Adusp), mais a anticandidatura de Chico de Oliveira.

Tirando o nome de Chico de Oliveira, que entrou na disputa somente para denunciar o caráter antidemocrático do atual sistema de escolha, boa parte dos demais candidatos apenas faz jogo de cena. Pelo andar da carruagem, tudo indica que a disputa ficará entre João Grandino Rodas e Armando Corbani Ferraz. O primeiro apoiado pela Fapesp e setores conservadores, diríamos até mesmo autoritários, da Universidade; o segundo tem o apoio da inábil e incompetente Suely Vilela, embora ela não o declare publicamente. Glaucius Oliva e Wanderley Messias, salvo engano, estão acertados com Armando Corbani, ou seja, no segundo turno, quando a casta superior se reunir para escolher o novo reitor, ambos estarão trabalhando abertamente por Corbani (trabalho que fazem veladamente neste momento).

Os demais candidatos estão aí por pura ingenuidade ou motivos pouco elevados, que saberemos até novembro. Afinal, apenas como exemplo, o que dizer da risível candidatura de Sylvio Sawaya, o homem do culto ao relógio da USP?!

Neste processo bizantino, é louvável a iniciativa do professor Chico de Oliveira, que aceitou o aborrecimento de lançar-se candidato com o intuito único de expor as vísceras da mais antidemocrática e autoritária universidade pública do Brasil, contando com o apoio do DCE e do Sintusp. Falta aqui a Adusp, mas tendo-se em conta que professores inexistem há um bom tempo enquanto classe social e política, é compreensível que a entidade não possa aderir a nenhum candidato formalmente, visto que nenhuma assembléia aprovaria qualquer nome, se aprovasse, a baixa participação dos docentes nos espaços de deliberação aconselharia não levar em frente.

Seja como for ou seja quem for, o futuro da USP é sombrio se mais uma vez valer a atual estrutura de poder, e tudo indica que valerá. Não nos parece que neste momento a reivindicação de uma estatuinte, como defende este blog e quer Chico de Oliveira, vingará, exceto se os setores mais avançados conseguirem tirar do torpor ou acomodação aqueles que sabem do cancro que é a estrutura de poder da USP, partindo para ação, radicalizando nas demandas necessárias para recuperar o ethos universitário. No entanto, reiteramos, isto parece improvável na atual conjuntura.

A USP é uma universidade decadente (muito por conta do seu viés elitista, privatista e autocrático), tanto quanto o estado de São Paulo também é. E como, USP e São Paulo, são comandados por uma elite medíocre e mesquinha, secundada por uma classe média babaca, querem manter a todo custo o controle do que sempre controlaram em proveito próprio, além de, ilusoriamente, querer ostentar um lugar privilegiado que vai deixando de existir. Sendo assim, não é de espantar a reação conservadora que grassa no estado de São Paulo sob o comando do último dos autoritários, o governador José Serra. Aliás, é Zé Pedágio quem anima a ação violenta dos gestores uspianos contra todos os que se colocam contra o projeto conservador da USP em conluio com o Bandeirantes, ou seja, quando nada funciona para calar os recalcitrantes: polícia na universidade e educação a distância.

Assim, qualquer esforço para defender civilizadamente a atual estrutura de poder, finda por ser uma retórica bizantina. Por isso, este blog, não defende nenhum candidato a reitor e coloca-se ao lado de todos que queiram uma estatuinte livre e soberana, para refundar a USP custe o que custar.

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