Imaginando que sua réplica não chegaria às páginas de resposta do Estadão, o autor autorizou a publicação por aqui. O artigo a que ele se refere, “Índices de produtividade”, foi publicado no jornal O Estado de S. Paulo nesta segunda-feira, escrito por Denis Lerrer Rosenfield, criticando a reivindicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de reajuste desses índices com relação ao agronegócio, tendo em vista que a partir deles se define a improdutividade de terras e, com isso, sua destinação para a reforma agrária.

Para facilitar o entendimento, deixamos ao final do texto o caminho para quem quiser ler na íntegra o artigo.

Por João Vitor Barison

Na edição desta segunda-feira, 31 de agosto, Denis Lerrer Rosenfield expôs seu pensamento acerca da atualização dos índices de produtividade.

O autor toma posição clara de defesa do agronegócio ao criticar enfática e raivosamente esta medida conquistada pela luta do MST. Crítica que aparece de forma desrespeitosa com a Constituição brasileira, já que é ela que determina a atualização, a cada 5 anos, dos índices de produtividade no campo brasileiro. Isto não é feito há décadas, e até hoje os índices utilizados para se medir a produtividade no campo brasileiro datam da década de 1970.

Tal medida, inscrita na Constituição, não se trata de nenhum absurdo criado pelo “movimento revolucionário leninista”, conforme afirma o docente. Trata-se de uma medida necessária para um país como o nosso, onde há intensa concentração de terras nas mãos de poucos empresários-latifundiários. Ora, se temos uma enorme concentração de terras, se temos milhões de trabalhadores rurais sem-terra, querendo terra para trabalhar, nada mais justo que definir quais terras concentradas são ou não produtivas, e, a partir disso, desapropriá-las e destiná-las à reforma agrária.

Pergunto-me: se o agronegócio é tão produtivo quanto se anuncia, qual o medo de uma atualização dos índices de produtividade?

O autor afirma que, num contexto de crise mundial, é justo que os produtores agrícolas em economia de mercado diminuam sua produção e seus prejuízos. Observem o absurdo que este professor de ética está dizendo. Aqui não se trata de mais uma empresa comercial como as outras do capitalismo, que apenas se objetiva o lucro. Aqui estamos tratando de questões fundamentais para a vida humana. Se os produtores rurais diminuem sua produção por conta da crise mundial, a conseqüência lógica é o aumento dos preços dos alimentos, é a escassez de alimentos, é a FOME e a MISÉRIA. É essa defesa que o professor de ética faz! Defende a fome e a miséria humanas em nome do lucro de meia dúzia de latifundiários.

Por isso é que é necessário uma intervenção estatal, regulando a produtividade no campo, pois temos enormes questões sociais a serem resolvidas, e o estômago das pessoas não pode ficar vazio até que o mercado tenha boa vontade em enchê-los.

Há também, mais uma questão central: não basta a produção de alimentos. É preciso que se produzam alimentos saudáveis, com respeito ao homem e ao meio ambiente. E isso a reforma agrária faz, ao contrário do agronegócio.

Me parece indigno e antiético que um professor universitário, ainda mais um que ministra aulas de filosofia e ética, desrespeite de tal modo a Constituição brasileira e, principalmente, o povo brasileiro.

Para  ler na íntegra o artigo do Estadão, o caminho é: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090831/not_imp427139,0.php
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