O Centro Acadêmico Unificado da UNIFESP – Baixada Santista, juntamente com o CES organizou um debate no último dia 19 de agosto onde primeiramente foram compartilhadas todas as informações que acumulamos até então em relação ao avanço do projeto de lei que visa o desmembramento desse Campus e a criação da Universidade Federal do Litoral Paulista.

Ficou evidenciado que a opinião contrária é generalizada dentre todos os que ali estiveram presentes: Professores, DCE, CES, CA e direção do campus. A partir de então passamos a discutir sobre o que poderemos fazer para impedir que a Unifesp seja desmembrada e que projetos como a da UFLP sejam colocados em prática.

Abaixo, você pode conferir o texto elaborado pelo CES:

Criação da Universidade Federal do Litoral Paulista Avança no Senado

A região da Baixada Santista é bastante deficitária em vagas em universidades públicas. Com algumas décadas de atraso foi criada em 2006 uma unidade da Univesidade Federal de São Paulo (UNIFESP), porém com um modelo de expansão precário, que se preocupou muito mais em servir de propaganda para o governo do que para oferecer cursos de grande qualidade.

A UNIFESP não tem um campus próprio, funciona improvisada em dois apertados prédios alugados e localizados distantes um do outro. Também possui problemas de falta de professores, laboratórios e estrutura de assistência estudantil.

Mesmo diante desses fatores, o senador Aluísio Mercadante apareceu com um projeto de lei da criação de uma nova universidade na região: A Universidade Federal do Litoral Paulista (UFLP). Além disso, o propagandeou como se estivesse feito a maior obra da história de Santos.

Porém, não passava de uma grande farsa já que essa nova universidade seria, na verdade, apenas o desmembramento da UNIFESP-BS, transformado-a em uma nova universidade para continuar ampliando cursos e vagas, porém sem garantir a verba necessária.

O problema maior não é apenas essa mudança de nomenclatura, mas sim o novo viés que a nova universidade terá. Enquanto a UNIFESP tem um trabalho voltado à área de saúde pública, inclusive já desenvolvendo projetos em diversas regiões de Santos, a nova universidade tem o claro objetivo de servir aos interesses da burguesia da cidade, que acredita que irá se beneficiar economicamente dos cursos voltados para as áreas de produção de petróleo e gás, logística portuária, ciências do mar e até de um curioso curso de ciências sociais com ênfase em comércio exterior e turismo (!).

A comunidade acadêmica da Universidade Federal de São Paulo ficou surpresa ao se deparar com um projeto que a envolve e que, do dia pra noite, já tramitava e era aprovado em várias comissões do Senado, sem que qualquer consulta ou aprovação prévia tivesse sido feita à universidade. Esse é um exemplo claro de ataque à autonomia universitária.

Acreditamos ser fundamental para a cidade de Santos, como também para todo país, mais esforços na educação e nabalao ampliação de universidades públicas. No entanto, somos contrários a qualquer política de expansão que não garanta a qualidade do ensino, democracia e autonomia da universidade. Também repudiamos projetos que vão contrários ao que se espera pra uma universidade socialmente referenciada, isso é, que se realize o ensino, a pesquisa e a extensão voltados para a sociedade.

O projeto da Universidade Federal do Litoral Paulista já carrega os traços de uma universidade fora desses marcos, trata-se de um projeto eleitoreiro, que será implementado às pressas próximo das eleições e que está sendo aprovado sem critérios pelo senado. O mesmo senado corrupto que tem o Sarney em frente sua mesa e que é autoritário o suficiente para desrespeitar a universidade, mesmo ela já tendo se declarado oficialmente contrária a esse projeto.

No dia 15 de julho, o Conselho Universitário da UNIFESP manifestou publicamente sua postura contrária ao projeto de lei. O senador declarou-se surpreso diante de tal alegação, e disse que retiraria a proposta, mas não o fez. Pelo contrário, deu encaminhamento e a mesma foi encaminhada para a Câmara dos Deputados.

As recentes aprovações do REUNI (programa do governo que ampliou vagas sem verba nas universidades) e do vestibular unificado mostram que o conselho universitário da Unifesp não tem força para barrar novos ataques à universidade, portanto é esperado que essa mudança possa vir a ser aprovada em breve. Se isso acontecer os cursos de saúde serão definitivamente sucateados porque os escassos recursos serão destinados à área do Petróleo e Gás, onde há maior interesse econômico.

As últimas informações que tivemos foi que o abaixo assinado de professores, estudantes e técnicos-administrativos foram entregues em Brasilia pelo Reitor na terça feira e que também soubemos da possibilidade desses cursos serem abertos no Campus de São José. Possivelmente um acessor do senador Mercadante se encontrará com os estudantes da UNIFESP amanhã e o Diretor Acadêmico também garantiu uma conversa com o reitor na semana que vem.

Confira no blog novas informações e clique aqui para ter acesso ao informativo distribuído no debate.

Originalmente publicado em http://blogdoces.wordpress.com/2009/08/21/desmembramento-da-unifesp-e-aprovado-no-senado/
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