As aulas vão recomeçar e a eleição para reitor dá o tom do debate para o segundo semestre.

Afinal de contas aonde foi parar “Fora Suely”, estatuinte, crítica à falta de democracia e repressão?

Qualquer tentativa de se investir nesta eleição, para aproximar pacientemente de uma mudança gradual na estrutura de poder, é utópica e abstrata porque ela procura mudanças através de aliados que conservam e reforçam o poder autocrático da USP. Quem quer que venha a ser o próximo reitor, o será por meio de compromissos inconfessáveis, visto que sem acordos com a cúpula dirigente, agências de financiamento e governo do Estado, no atual sistema ninguém se elege. Quem o elegerá de fato, serão basicamente os mesmos que elegeram Suely. Mudaram de lá para cá? Não. São os que autorizaram a PM no campus, passaram a mudança da carreira docente e da pós-graduação sem debate efetivo com a comunidade universitária, omitiram-se em momentos de crises graves. Outrossim, quase todos os diretores de unidade (que fazem parte do colégio eleitoral e comem na mão da reitoria) ratificaram a entrada da polícia na USP e se posicionaram contra o “Fora Suely”.

Vamos concordar numa simples mudança na cúpula dirigente, ficando nessa estreiteza de horizontes, que sequer arranha a estrutura atual? É pouco, é quase nada.

É preciso coragem e não legitimar o que é ilegítimo.

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