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Os Centros de Saúde-Escola Butantã,  como outros  serão dados para a administração da Fundação Faculdade de Medicina.  Esta foi considerada entidade de interesse social e desde 2003 administra o Hospital de Sapopemba, além de gerir na prática todo o complexo HC e a verba do SUS para aí destinada (clique aqui para saber mais).  Com isto, pode de forma disfarçada terceirizar os serviços de saúde, como ocorre hoje na região Oeste, onde a Fundação Faculdade de Medicina passará a administrar os postos de saúde desta área. Não apenas isso, mas entidades que eram da USP serão transferidas para a gestão de entidades privadas sob a égide da administração municipal. Pode isto? Não pode, ela não é AMA. No entanto, tal fato está acontecendo em várias partes da Universidade, onde os burocratas defensores da terceirização como o Fava (diretor da FFM e ex-reitor da USP) colocam suas mãos. O Museu de Arte Contemporânea (MAC) será transferido de secretaria, por exemplo, e parte do ensino transferido à Rede Cultura. Assim, sob esta lógica, por que não transferir a saúde de secretaria? Tudo isso, progressivamente, já vem ocorrendo com o atendimento odontológico.

Voltando à Fundação Faculdade de Medicina, nela encontra-se na prática a gestão do o H.U. (Hospital Universitário da USP), e com ela tem ido o que resta de público do H.C. (Hospital das Clínicas).

Hospital Universitário/USP
Hospital Universitário/USP

Nas greves o Centro de Saúde-Escola Butantã lutou por verbas que viriam finalmente, mas quando chegarem, estarão nas mãos da Fundação. Ou seja, verbas virão, mas a qualidade será a mesma existente hoje no HU, que pode ser atestada numa ingênua pergunta a qualquer usuário que precisa marcar consultas no H.U. Se antes uma consulta podia ser agendada em até um mês, agora a espera dura bem mais que isso, podendo chegar a mais de um semestre.

No Centro Saúde-Escola Butantã se iniciará uma reforma, que deslocará seus funcionários para diversas unidades da USP, através de processo formal de transferência de pessoal. Ora, se é uma reforma, por que mandar suas vagas para outras unidades, já que isso implica em dizer que não voltarão, o que é estranho para uma unidade que tem falta de funcionários.

Coincidentemente um destes funcionários é a Nely (diretora do Sintusp), que havia sido transferida de Bauru para cá, cuja transferência parece se associar ao processo que estamos discutindo como um tipo de represália, pois ao ficar deslocando de unidade para unidade, o funcionário volta a ficar em período de experiência, onde não tem nenhuma garantia e qualquer chefia pode fazer o que bem entende com a vaga do funcionário.

Mesmo que a diretoria do Centro-Escola proteste contra o fim do oferecimento deste tipo de serviço de ponta, ligado à intervenção que associa saúde e educação em diversas formas, a promessa é que a reitoria segurará o atual diretor, e com isso o serviço que lá se oferece, somente até o fim da reforma. Depois disso a reitoria empossará quem ela quiser e, aparentemente, será a Fundação ou alguém próximo.

E o serviço que lá é oferecido? Babau! Vão colocar outra coisa.

Os serviços públicos saem da administração pública para a mão de interesses privados e no entremeio da passagem aproveita-se para retaliar funcionários. Mesmo aqueles que não entraram na greve, percebem agora o quanto valem para as administrações, uma vez que irão mudá-los de setores e funções já que o serviço que lá se oferece é bem específico. Até terminar a reforma o Centro estará fechado, nesse sentido é interessante perguntar o que se fará com os usuários que eram ou são atendidos? Adivinha?  O mesmo fim dos funcionários: virem-se em outros setores, onde alguém se importe, a reitoria é que não vai ajudar.

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