As atléticas não parecem ter uma estrutura de financiamento garantida, por isso precisam vender cerveja em festas, onde surge a diferença entre a campanha das atléticas de unidades como a  FEA, que custa 100 mil, e a da FFLCH, que mal consegue se manter.

Recentemente para um campeonato da USP foram liberados 15 mil da pró-reitoria de cultura e extensão para a estrutura de jogos, o que é positivo, pois evita que recorram a mercantilização do espaço público ou mesmo ao apoio de fundações. No entanto, em relação às atléticas surge a partir deste ponto os desníveis entre a capacidade de mobilização de uma atlética ligada a um determinado C.A. que tem muito dinheiro, como os do G4 (Poli, Medicina, FEA e Direito), que contam com grana das faculdades, doações de fundações e dos C.A.s, e as atléticas que se mantém só com venda de cerveja e festas.

Se a cerveja é proibida em faculdades, mesmo para as pessoas que estudam nelas e tenham mais de 18 anos, surge o problema de que se forem proibidas as festas, como parecem querer os chefes de departamento, exceto as do G4, como as atléticas se manterão?  

Sairão da USP? Utilizar-se-ão de festas onde sempre será cobrada a entrada?

E como se integrarão minimamente os demais estudantes, ou melhor, os estudantes pobres. Estes não poderão participar de atividades de socialização, ficando excluídos do convívio mútuo, do mesmo modo que as atléticas de cursos com menor arrecadação de dinheiro terão restritas as suas participações em atividades de socialização? 

Qual o papel das atléticas? Vale a pena pedir uma prestação de contas?

Surgem a partir daí outras perguntas quanto aos fins propriamente político/esportivos:

 – É necessário sustentar estas atividades extracurriculares? Deve-se fazê-lo? Há coisas mais importantes a se fazer na Universidade, ou isto seria algo tão normal como outras demandas dos estudantes, afinal, que outro local do país pratica-se Remo gratuitamente?

Muitas vezes sustenta-se a prática de atividades esportivas que não teriam outros incentivos no país, enquanto deve-se notar igualmente a deterioração de outros espaços de esporte como o velódromo, que torna irrealizável a prática de esportes, ou mesmo aos equipamentos públicos de halterofilismo, na área do Cepê, apelidada de “USPresídio”, pois não tem acompanhamento profissional, nem técnico, nem nada.

Não é por causa das rusgas do movimento estudantil com a Laausp que isto signifique que os estudantes militantes odeiem esportes ou que sejam contra, como atesta a Sociedade Esportiva dos Homens Cordiais (A SEHC, ala esportiva do Bonde da História), isto quer dizer apenas que tais estudantes se opuseram ao papel institucional que exerceram as atléticas (exceto a da FFLCH) ao ficar imediatamente ao lado dos chefes de departamento de suas unidades, quando estes atacaram de uma só vez um projeto público de universidade e os funcionários que mantém a estrutura física e de serviços da USP.

Indicaria isto rabo preso por via do financiamento com a  reitoria e as chefias de unidade?

Pode ser, mas sabemos que os esportistas sentem a necessidade de manter o treinamento para atividades de competição, o problema é que estando os funcionários do Cepê em greve, estes recomendavam a restrição à unidade por medo, seja de usuários se ferirem, seja de danos ao patrimônio que fossem imputados aos funcionários. Funcionários como o Selito (trabalhador do Cepê, da direção do Sintusp, que tentaram prender para quebrar o piquete, quando a polícia tentou levá-lo, mas estudantes que estavam na frente da reitoria foram para lá e evitaram) sempre militaram por atividades esportivas como integração, como campeonatos entre os funcionários e até de competições entre estudantes e funcionários que também possuem associações atléticas.

Ninguém é de ferro, todo mundo, mesmo militantes, jogam ao menos um futebolzinho, mas quando o assunto é o sentido do público e quando há o ataque material e institucional à Universidade, ou quando estão em questão o financiamento e perseguições políticas, problematizando outras atividades que envolvem desenvoltura atlética involuntária como desviar das pelotas fulmígenas lançadas pelos arremessadores e de outros atacantes, enfim, cabe parar e pensar no que estamos fazendo aqui, ou não? E aqui a S.E.H.C., não por gosto masoquista como disse um rapaz ao CQC, mas pelo compromisso não apenas atlético, mas ético e de coragem, não fugiu de seus deveres, nem da polícia.

Afinal, podemos perder nossos principais defensores contra os atacantes adversários, assim como  a prática pública de atividades quaisquer da universidade, pois ao contrário do que se pensa, a estrutura que aqui está, seja de ensino ou de esportes, pode não ficar estável por muito tempo e acabar sendo sucateada, privatizada e ser sujeita à corrupção como qualquer outra. Lutar por uma estrutura clara e limpa de financiamento para as atividades esportivas, que garantisse a todas as unidades a participação, deveria ser uma bandeira que se juntasse às dos demais estudantes envolvidos em atividades atléticas involuntárias como as citadas. 

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