Lotação na Letas faz alunos assistirem aula do lado de fora

Lotação na Letas faz alunos assistirem aula do lado de fora

 

FOGO NA LETRAS

 Breve Histórico

 Em meio à Ditadura Cilvil-Militar o governo estadual paulista percebeu que não era uma boa idéia ter no centro da cidade a contestadora Faculdade de Filosofia e Letras, situada na Rua Maria Antonia. Transferiram então a futura FFLCH para dentro da Cidade Universitária, isolando-a da melhor maneira possível do mundo exterior.

Um projeto feito pelo famoso Paulo Mendes da Rocha previa a criação de um “corredor das humanas”, que começaria no prédio de História e Geografia e iria até a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, passando por Ciências Sociais, Filosofia e Letras.Os estudantes então foram levados para Colméia (espaço que fica no complexo do Crusp e hoje abriga o IEB, entre outros) e esperavam pela conclusão do famoso projeto. No entanto após anos de espera, apenas o prédio de bisturi havia sido concluído, e como o grande número de estudantes não mais cabia nas pequenas salas da Colméia uma greve foi feita.O resultado foi a promessa de conclusão do projeto, e enquanto isso não acontecia a construção de dois prédios provisórios para os cursos sem teto.

 A Letras Hoje

Mais de 20 anos se passaram, e a verba necessária para construção do lendário corredor jamais chegou. Os prédios provisórios continuam lá, firme, fortes e lotados. Segundo estimativa feita em 2008, pela própria comissão interna de espaços da Letras, seria necessária a construção de 17 novas salas de aula para atender a demanda de alunos e aulas. Enquanto isso, estão sendo construídas 8 novas salas (fruto da greve de 2007). Ruim? Por ordem do MEC o curso de Letras está passando por uma reforma curricular que o faz oferecer disciplinas de licenciatura, ou seja, mais salas de aula seriam necessárias.

São 848 alunos que o curso de letras recebe por ano, o número assusta e contém por trás uma lógica perversa; qualquer universidade precisa manter determinado número de alunos matriculados no período noturno, norma do MEC, para evitar que cursos da POLI, FEA ou ECA tenham que aderir a regra, esse montante de estudantes é jogado majoritariamente para o curso de letras, e outro tanto para o restante da FFLCH.

Como abrigar esse número de pessoas se falta espaço físico? Salas de aula com o limite excedido e muitas vezes até com o dobro de alunos permitidos, alunos assistindo cursos do lado de fora da sala e disciplinas que são ministradas em outro prédio (é normal o aluno que têm aulas na química, geologia etc).

Se por um lado o projeto elaborado por Mendes da Rocha contava com um teatro de arena, seis anfiteatros e dois teatros, a realidade da Letras não abriga sequer uma sala adequada para grandes palestras. Atualmente as maiores abrigam 120 pessoas sentadas e até pouco tempo (antes da greve de 2007) não tinham sistema de som, ar condicionado ou mesmo portas com trancas funcionando.

Já se tornou cotidiano durante o verão alunos passando mal e por vezes até desmaiando em sala de aula, de fato os únicos ventiladores presentes nas salas são tão antigos e barulhentos que muitas vezes, para não atrapalhar a fala de professores, sequer são ligados.

Os laboratórios são ínfimos, os professores precisam reservá-los com cerca de 15 dias de antecedência e muitas vezes também não conseguem abrigar toda uma turma.

Negligenciada também  é a questão de acessibilidade do prédio, se hoje as reformas apontam por melhorias nesse sentido é porque a administração da faculdade já recebeu até ameaças de processos e passou por uma gafe colossal. Em meados do ano passado, um embaixador da Finlândia, usuário de cadeira de rodas, após conferência feita no prédio foi usar o elevador e, junto com outros dois professores, desabou um andar dentro do precário equipamento.

Se a situação do prédio é essa, o espaço estudantil então é vergonhoso. Localizado no subsolo, abriga em uma área minúscula: serviços de xerox, lanchonete, loja, centro acadêmico e espaço de convivência. Ou seja, pouco mais de 150m2 para abrigar a tudo isso numa faculdade que têm 7000 usuários entre estudantes de graduação, pós, professores e funcionários, além de atender o público dos questionáveis cursos de línguas. Sendo assim, o lugar que serviria para socialização dos estudantes, é além de ínfimo, abafado, insalubre e intransitável.

Outra situação precária e que se agravou com a chegada da reforma foi a de segurança. O prédio não possui saídas de incêndio, hoje são apenas duas portas, uma em cima da outra, que controlam entrada e saída do local, as que ficam situadas nos corredores das salas de professores, embora consideradas saídas de incêndio, permanecem sempre trancadas com uma caixa ao lado para ser quebrada em caso de emergência, o que é contra as normas de segurança, a porta precisa ser corta fogo e destravada do lado de dentro. Além disso, não há mangueiras de emergência em todos locais determinados, assim como o prédio carece de extintores. Tampouco os funcionários são treinados para situações de emergência e, ao que se sabe, nunca houve evacuação simulando situação de emergência.

Literal ou metaforicamente basta uma fagulha para fazer valer o título desse texto. 

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