Proposta prevê uso de catracas na Faculdade de Educação

Renato Rostás e Renato Santino

Medida gera reação de alunos da unidade, que alegam não ter ocorrido um debate sobre a implantação

A proposta aprovada em maio na Faculdade de Educação (FE) de implantação de catracas na unidade tem provocado reação dos alunos do local. A medida foi discutida na Comissão de Espaços da faculdade, entidade que não possui nenhum representante discente, e prentede “manter a possibilidade de controle, uma vez que a FE é muito vulnerável”, segundo afirma a professora Maria Cecília Cortez Christiano de Souza, presidente da comissão.

A proposta prevê a instalação experimental de catracas no bloco A, que abriga a administração e as salas de professores. Segundo ofício da Comissão, “tal medida pode ser estendida aos demais prédios da Unidade, como forma de melhorarmos o controle do acesso às dependências do prédio”. O documento relata que outras unidades da USP obtiveram sucesso na redução de furtos com as catracas.

Embora não haja previsão da instalação, os estudantes da FE temem que a medida seja posta em prática durante as férias, o que enfraqueceria os protestos contra a implantação organizados pelo Centro Acadêmico Professor Paulo Freire. Os estudantes pretendem congelar a proposta para poder discuti-la mais amplamente na faculdade.

Os discentes reclamam que não houve tempo para discutir a proposta. Marco Aurélio de Araújo Silva, representante discente presente no Conselho Técnico Administrativo que aprovou as catracas, afirma que a pauta não lhe foi enviada com antecedência, como de costume, e ele só tomou conhecimentgo da proposta na reunião. Por isso, ele se absteve na votação. “Minha representação vem do acúmulo de deliberações dos estudantes de pedagogia e de licenciaturas. Se eles não discutiram, não posso adivinhar seu posicionamento”, diz.

As catracas, a princípio, não devem barrar ninguém. A medida garante a passagem a qualquer portador da carteirinha da USP. Quem não possuir um número USP receberá um cartão de visitante, que deverá ser devolvido após sua saída. Porém, Silva questiona se, na prática, o acesso será mesmo livre. “Mesmo dito que não será impedida a entrada de ninguém, a catraca é um instrumento para tal e poderá ser usado”, afirma. “[Se não] Para que se faz necessária a catraca?”, completa.

Reação positiva

Outra unidade que planeja a instalação de catracas é a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), mas a proposta é mais bem aceita. Há pelo menos um ano a unidade debate a implementação de um plano de segurança que incluiria também o uso de um sistema integrado de câmeras e melhorias na iluminação.

Segundo a assistente técnica da direção, Mary Godoy, a medida é bem vista pela comunidade “feana”. O ponto mais controverso do debate é a utilização de verificação eletrônica da freqüência em aula. Mary afirma que a FEA só aguarda o lançamento do edital para licitação. Os laboratórios de informática já terão catracas para controlar o acesso no semestre que vem.

A assistente lembra dois casos de furto ocorridos na biblioteca da unidade – onde há catracas apenas para contagem de pessoal – e em algumas seções, como a Assistência Técnica de Comunicação e Desenvolvimento, de onde foram levados computadores no ano passado.

Já Noé Barbosa de Souza, assistente administrativo da FEA, é mais enfático. “Há quatro anos a segurança vem sendo repensada, pois faz tempo que existem furtos na faculdade”, explica. Ele ressalta que são recorrentes os casos de vandalismo na unidade e que a identificação dos visitantes inibiria isso. “Os estudantes teriam acesso facilitado, mas os visitantes teriam de informar o que farão no prédio”, completa.

É nessa linha que Mary defende o uso das catracas. Ela acha que o patrimônio da unidade deva ser protegido e garantido aos alunos, professores e funcionários do local. “É um mal necessário”, afirma. Ela admite, no entanto, que “não há como controlar a passagem de pessoas”. Para ela, a instalação de catracas com software padrão da Reitoria deve ser uma tendência na Universidade, já que o mais importante é a “integridade física das pessoas”.

Originalmente publicado em: http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2009/07/proposta-preve-uso-de-catracas-na-faculdade-de-educacao/

Uso de catracas na Unesp e Unicamp também gera controvérsia

Renato Rostás

A utilização de métodos de controle da passagem em espaços públicos causa divergências também em outras universidades estaduais de São Paulo além da USP. O uso de catracas é motivo de debate também na Unesp e Unicamp e divide opiniões entre os próprios estudantes. Na Unicamp, as catracas são realidade e causam protestos na comunidade universitária há anos.

No campus Araçatuba da Unesp funcionam os cursos de Odontologia e Medicina Veterinária. Em maio deste ano, a Reitoria da universidade anunciou um plano de segurança em parceria com o Banco Real e que permite, entre outros pontos, a instalação de catracas para dificultar o acesso às dependências do campus. O banco financiaria a instalação dos equipamentos de segurança e, em troca, os cartões necessários para o acesso viriam com o logotipo do banco.

Rafael Astolphi, vice-presidente do Centro Acadêmico Fabio Luis Bonello dos estudantes de Medicina Veterinária, explica que houve protestos por parte do corpo discente. Alguns alunos reclamam que as catracas impedem a passagem a um local público e também não concordam com a parceria com o banco. Astolphi afirma, também, que foi decidido em assembléia geral que os estudantes devem se envolver na instalação dos equipamentos. “Se comprovado que [o uso de catracas] terá efeitos negativos para a comunidade, iremos lutar para abolir essa idéia”, promete.

Já os alunos de Odontologia acreditam no bom funcionamento do sistema de catracas, como relata Renato Colenci, presidente do Diretório Acadêmico Professor Carlos Aldrovandi. De acordo com Colenci, os estudantes discordam que o sistema de segurança impedirá a entrada às dependências da faculdade, o que manteria o aspecto de espaço público de livre acesso no campus. Além disso, ele afirma que a maioria deles acredita que a medida inibirá os recentes furtos e assaltos que vêm ocorrendo nos últimos anos.

Colenci relata que a participação nas reuniões da diretoria da faculdade sobre a instalação das catracas não foi garantida nos estágios iniciais –  um laboratório já utiliza experimentalmente o sistema. COntudo, ele acredita que a situação seja diferente nas próximas fases da implantação. “Certamente seremos atendidos pela diretoria, ainda que os processos passem todos pela congregação e nós [representação discente] teremos acesso antes de serem aprovados e implantados”, afirma.

Unicamp

Na Unicamp, um sistema parecido funciona desde 2003 em parceria o Banco Santander, que comprou o Banco Real. A Reitoria autorizou a confecção de um cartão, que é necessário para entrada bloqueadas das dependências da universidade. A Reitoria justifica a ação afirmando que, assim, tem mais controle sobre a segurança no local.

Extremamente controversa, a implementação das barreiras causou revolta nos estudantes da Unicamp, que organizaram diversos protestos contra o cartão universitário, utilizado mediante débito nas agências do Santander.

A parceria deve continuar até o fim do ano e o banco, além de emitir cartões universitários, pretende automatizar o sistema de segurança em áreas de grande circulação da Unicamp, controlando o acesso a elas.

Originalmente publicado em: http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2009/07/uso-de-catracas-na-unesp-e-unicamp-tambem-gera-controversia/
Anúncios