Flash mob é uma aglomeração instantânea, uma espécie Happening , em um local público, cuja intenção é realizar ação inusitada, onde as pessoas se dispersam tão rapidamente quanto se reuniram. O encontro é geralmente organizado através de e-mails ou outras formas de comunicação social.

Os flash mobs uspianos diferem bastante da ideia original, se é que podem ser chamados assim, como mostramos a seguir.

Indiretamente é a mídia que tem chamado os atos antigreve ocorridos nos últimos dias na USP. Veja e os jornalões (Folha, Estado e O Globo) tanto na versão impressa quanto eletrônica divulgam sistematicamente qualquer deles. Assembléias estudantis nunca mereceram tamanha deferência. A “grande” imprensa na sua decadência orienta à decadência da USP. Além de serem pautados indiretamente pela mídia, não têm nada de instantâneo ou happening e, coincidentemente, contam com a simpatia e ajuda institucional. O último “flash mob” (doravante com aspas)  foi divulgado através do e-email da Comunicação Institucional da FEA (ced@usp.br). Semanas antes da onda antigreve, a Reitoria havia encaminhado mensagem para as atléticas comunicando que o Cepeusp estava aberto. No entanto, estavam (e estão) os funcionários em greve e com piquetes no Cepeusp. Aconteceu o que a mente mais ingênua poderia supor, até mesmo a inábil e autoritária Suely, tensão entre estudantes das atléticas e funcionários. Sendo assim, houve premeditação.

Por outro lado, é preciso considerar seriamente um movimento, aparentemente orquestrado, que subjaz a tudo isso. Vejamos. O início dos confrontos entre estudantes em greve e os que estão fora, deu-se com os supracitados e-mails encaminhados pela reitoria.  De lá para cá isso só tem crescido, indo de aluno chamando a polícia para retirar carteiras aos atuais “pacíficos” “flash mobs” divulgados mais pela “grande” (sempre com aspas) imprensa do que por seus organizadores, que por sua vez fazem-no através de e-mail institucional da FEA.

Evidentemente, cada qual tem direito à livre manifestação, direito de estar contra a greve ou de fazer greve.Porém, parece-nos essas pessoas, na sua maioria de classe média, eivadas de utilitarismo socialmente introjetado a partir da racionalidade midiática, levando para suas manifestações palavras de ordem carregadas de preconceito de classe, afinal, pouco tem a dizer sobre os motivos da greve, negam-se a discuti-lo, não comparecem a nenhum espaço público de discussão e simplesmente se dizem cansados de aulas interrompidas, querem bandejão e circular, banheiros limpos, café e funcionários atendendo nas repartições. Ou seja, não desejam o seu cotidiano prejudicado, tampouco querem se engajar num projeto coletivo que não traz dividendos pessoais. Organizam-se virtualmente, deixam-se pautar pela mídia e o senso comum e não possuem nenhum discurso político, exceto frases como “Greve da greve”, “Chupa Brandão” e “Volta PM”…”Volta PM”, aí está a chave dos que de fato impulsionam o CDIE (Comissão de Defesa do Interesse do Estudante), Flacusp (Forças de Libertação Anticomunista), afins e desavisados úteis. Esperam que as manifestações, os “flash mobs” terminem em confronto para que a Polícia volte e nunca mais saia. Quem não quer politizar o debate precisa da polícia para interditá-lo, para despolitizá-lo. Por isso, afirmamos que estudantes e funcionários em greve devem ficar distantes desses atos. São pacíficos na retórica, na prática são “flash mobs” midiáticos a espera de um incidente para transformar vítimas em culpados.

Assim se não evitarmos agora o que os atuais atos antigreve desejam, logo não será mais aluno chamando polícia para remover cadeiras, mas algum professor tresloucado reivindicando a PM para reprimir colega, funcionário ou estudante por algum motivo fútil. Precisamos da força do pensamento para resistir, criar saídas e transformá-las em ato e, neste instante, evitar provocações que esperam acender mais ainda a irracionalidade que viceja em tempos de crise. Aliás, a história mostra que a irracionalidade é o solo fértil por excelência para o fascismo.

Por Universidade para quem?

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