A Folha de São Paulo de hoje, traz uma matéria onde dirigentes da USP dizem que é necessário rever a estrutura de poder da Universidade, até mesmo Silvio Sawaya – tucano da mais alta plumagem – manifestou-se nesse sentido.

Essa é uma das pautas mais antigas dos setores avançados da USP. Se agora quem jamais defendeu mudanças o faz, é preciso entender o que está acontecendo. Difícil acreditar que renhidos defensores do status quo tenham mudado repentinamente.

O que sempre foi óbvio está em questão: as sucessivas crises por que passa a Universidade, dá-se principalmente pela ausência de democracia nas relações internas, o desrespeito e a interferência abusiva do Governo do Estado e a privatização por dentro – esta se dá de cima abaixo, afinal, além das fundações e das grandes linhas de pesquisa, muitos dos chamados “grupos de pesquisa”, transformaram-se em pequenas empresas incrustadas nas mais diversas unidades, cujos projetos atendem antes a uma demanda particular que pública.

Democratizar a Universidade e abrir canais de diálogo é urgente. Mas é preciso democratizar de fato e tomar cuidado com alguns que agora propõe mudanças. Isso pode ser um ardil. Ou seja, mudar tudo para não mudar nada. Já conhecemos esta história, onde tudo pode ser jogo de aparências para apaziguar os ânimos no exato momento onde a transformação ganha ares de possível imediato. Embora distante no tempo, geograficamente e no contexto, lembremos da  França de 1830 e 1845.

Ontem, a reitoria comunicou que a Polícia sai do campus na segunda-feira, mas ficou subentendido que ela pode voltar. Vamos negociar sob o risco da tropa voltar?  

Hoje, conservadores falam da centralização de poder na USP. Por quê?

Amanhã haverá reunião com o Cruesp. Suelly Vilela, que o preside e teve sua renúncia requerida por estudantes, funcionários e professores. Vamos negociar com quem pedimos a renúncia? Entrará no cardápio a renúncia e a estatuinte?

Julho é férias. Em agosto acontecerá o mesmo que em 2007, tudo volta ao “normal” sem que nada tenha mudado? Perdemos a ocupação, os decretos retornaram sob outra roupagem. Até quando seremos iludidos por falsas vitórias?

Sempre tivemos um bode na sala. O risco é quererem colocar um bode menor. Levando-nos a não saber que tudo está errado com ou sem bode, quando na verdade a mudança deve começar pela própria casa.

Por Universidade para quem?
 
PS.: Voltaremos ao assunto, trazendo análise aprofundada. Parece-nos que  acenam para uma acomodação entre a parte dos professores que são contra a estrutura atual de poder, com uma ampliação para que caibam mais alguns, interditando mudanças efetivas. Não há na história registro de democracia que tenha sido dada. Ela é sempre um conquista dos que trocam momentaneamente o desconforto pelo conforto, em nome de dias melhores. Afinal, desejar um mundo mais justo, implica que ele ainda continua injusto. Lutemos pelo que é justo não pelo menos injusto.
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