Arrisquemos dizer que a única solução para os conflitos da universidade é a ampliação de seu processo democrático. Dos departamentos até a escolha da reitora a USP é dominada pela aristocracia clérico-meritocrática dos professores titulares. Os professores titulares da USP são 800 ao total num universo de 8000 professores. Eles ocupam nos conselhos e congregações uma média de 75% dos votos. Tal desproporção da divisão do poder é marcada pela magia medieval dos índices de produtividade e do carreirismo burocrático que caracteriza a maioria dos professores titulares. A atual crise da universidade é culpa desta elite universitária detentora do poder, que faz o que bem quer com a universidade. Como um véu, esta divisão de poder encobre a ausência do dialogo democrático entre a comunidade universitária.

Ultimamente nem todos estão conformados com tais desmandos. Estudantes e funcionários e a maioria dos professores, acuados por tal tirania e autoritarismo nas decisões, são obrigados a ir a luta através de ações diretas, greves e manifestações para se fazerem ouvir, para que se abra minimamente o diálogo. Desta vez os professores titulares tiraram o véu. Mostraram que se a comunidade não estiver de acordo com seus desmandos ela a reprimira à força.

Assim este torna-se o momento fundamental para a reivindicação de diretas para reitor, pauta que é símbolo da democratização das decisões na universidade. Polêmica que é, não cabe aqui discutir em qual proporção entre professores, funcionários e estudantes deve-se dividir o poder na universidade. O que é urgente neste momento de crise é a ampliação da representação da comunidade nas decisões para que o real dialogo se efetive e que estes momentos de repressão policial sejam somente uma história ruim na universidade.

Por Universidade para quem?
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